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sexta-feira, 14 de março de 2014

14 de março DIA DA POESIA



Tem duas poesias que me identifico muito, uma eu sei de cor (é bem pequenina) que é o "Pato" do Vinícius de Moraes que também é conhecida como música, mas ela está em um livro do Vínicus que chama-se "A Arca de Nóe" (é para crianças) e a outra é de Casimiro de Abreu "Meus oito anos" (sei quase toda também), me traz um sentimento meio bucólico...gosto de referências ao campo...



 Meus oito anos

                                           CASIMIRO DE ABREU (1839-1860)


Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)

fonte: http://educaterra.terra.com.br/literatura/romantismo/romantismo_32.htm


O PATO

                                      Vinicius de Moraes
                                   

Rio de Janeiro , 1970


Lá vem o pato

Pata aqui, pata acolá

Lá vem o pato

Para ver o que é que há.

O pato pateta

Pintou o caneco

Surrou a galinha

Bateu no marreco

Pulou do poleiro

No pé do cavalo

Levou um coice

Criou um galo

Comeu um pedaço

De jenipapo

Ficou engasgado

Com dor no papo

Caiu no poço

Quebrou a tigela

Tantas fez o moço

Que foi pra panela.



fonte: 
http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/o-pato





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