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terça-feira, 3 de setembro de 2013

ROUSSEAU - Artigo baseado na obra ROUSSEAU: A EDUCAÇÃO NA INFÂNCIA De Beatriz Ceriza

ROUSSEAU
Artigo baseado na obra
ROUSSEAU: A EDUCAÇÃO NA INFÂNCIA
De Beatriz Ceriza


Introdução

O meio nos transforma ou não, não sabemos quais questões em nossa vida realmente podem interferir em nossas escolhas e em nosso destino.
O que somos está na nossa essência ou as interferências do outro (terceiro) e daquilo que está alheio a nós é que nos forma interiormente?
O que nos caracteriza como seres humanos? O que nos faz exteriorizar o melhor ou o pior? Esse trabalho não busca responder estas perguntas, mas analisar a obra Emílio de Rousseau, sendo esta uma das obras mais importantes relacionada a educação do século XVIII e ainda influente nos dias de hoje contemplando seus aspectos históricos.
 Rousseau, um dos muitos autores que passaram por grandes dificuldades e que mesmo assim conseguiram deixar contribuições inestimáveis para a sociedade.



 Vida

            Quando estudamos sobre Rousseau e conhecemos um pouco de sua vida, sua dificuldade, seus desencantos, podemos questionar se isso contribuiu para grande obra que nos deixou.
            Esse pensamento seria o mesmo em outras circunstâncias? Talvez não, se as coisas que aconteceram não influenciaram e tudo o que deixou estivesse intrínseco, mas talvez sim, as dificuldades o fizeram pensar como poderia tudo ser melhor, ou mais fácil.
            Rousseau perdeu sua mãe nos primeiros dias de sua vida, e embora seu pai tenha o criado por certo tempo e o ensinado a ler e admirar autores importantes para sua formação, não demorou muito também deixá-lo a mercê da própria sorte ainda criança em uma escola.
            Depois da escola, Rousseau voltou para casa com seu primo e se tornou insubordinado nas poucas chances que teve de se manter seguro na adolescência, isto o fez vagar sem rumo e aparentemente sem futuro.
            Ajudado por um padre que o acolheu em circunstâncias de miséria e fome, logo conheceu Madame de Warens, que o orientou, católica a pouco tempo.Terminou por fim sendo seu secretario e posteriormente sua amante. Abandonou a amante quando foi para Paris.
            Estudou música, foi professor, funcionário do governo, fracassou muitas vezes.
            Tudo isso fez com que conhecesse os problemas sociais e filosóficos.
            Leu Montaigne, Pope, Voltaire, Leibniz, Locke, Descartes, Pascal, Kepler, Newton, Platão, Defoe, isto é, passou pelas áreas filosóficas, cientificas e da literatura.
            Com alguns até estabeleceu relações como o caso de Voltaire.
            Em Paris conheceu a criada Thérese Levasseur, a qual é descrita com inferioridade a Rousseau, eles viveram juntos por 23 anos, tiveram 5 filhos, os quais nenhum foi criado pelo casal, sendo todos deixados no asilo do enjeitados...esses nunca mais foram encontrados.
            Até seus 37 anos não parecia ter nenhuma superioridade intelectual, até o momento que a pergunta redigida pela Academia científica de Dejon (oferecia um prêmio) o despertou.
            A questão era: “O progresso das ciências e das artes contribui para purificação ou para corrupção da moral?”.
            Essa pergunta o fez refletir e escrever sobre a civilização. Alcançou fama. Sentiu-se no dever de contribuir para um novo “remodelamento” da sociedade.
            De caráter difícil, não conseguiu manter pessoas próximas, acreditava que havia perdido tempo na juventude e arrependia-se do que havia feito aos filhos.
            Morreu exilado, só e sem condições dignas aos 66 anos.
           
Obra
            O restante da sua vida foi escrever obras como:
            *Qual é a causa da Desigualdade entre os homens?
            *A Nova Heloísa – 1761
            *O contrato social
            *Emílio
            *Confissões

O homem puro, O SELVAGEM[1]

            Vive de igual para igual com o resto da natureza, não há sentimento que o façam sentir-se menor que o outro, no estado de natureza o homem vive livre e sua única preocupação é autopreservação[2].
Como o homem selvagem tinha poucas necessidades, pois não conhecia o que lhe é supérfluo, tornava-se feliz e tranquilo com o que tinha: tudo o que o podia manter vivo.

A civilização para Rousseau
           
            A civilização para Rousseau foi a decadência do ser humano, que para ele nasce o homem nasce puro, mas a sociedade o corrompe, além disso, a arte e a ciência causaram o fim da virtude.
            Para Rousseau as artes e as ciências eliminaram as virtudes, tornando o homem covarde e amoral. Seus únicos exemplos foram os espartanos e os romanos.
            Os homens foram construindo necessidades artificiais das quais não podiam viver mais sem elas. Tudo que criou, que lhe tornava feliz com seu próprio orgulho, o tornou também sem limites, e depois nunca mais pode ser “feliz” sem primeiro satisfazer seus desejos.
            Nenhum homem foi igual ao o outro depois disto, uns eram superiores, outros inferiores e todos queriam ter oportunidade de se sobressair.
           
Um olhar sobre Rousseau

A autora Beatriz Ceriza[3] promoveu em sua obra, um trabalho que foi além da forma como é vista o Emílio de Rousseau, ela não o viu como manual, já que não o é. Logo, fez uma pesquisa baseada no conjunto de princípios que Rousseau deixou em sua obra.
Rousseau, embora tenha sido do período[4] em que a ciência[5] era defendida como uma libertação do ser humano, isto é, o esclarecimento, ele não via desta mesma forma esta mesma ciência, acreditava que ela era uma das causas de todas as mazelas humanas[6] .
O homem, já não era o mesmo, afinal, não era mais um ignorante, mas também não era virtuoso como no princípio. Para Rousseau, com a situação que ele via em seu cotidiano, a educação deveria libertar e não cultivar mais “amarras”.

Educação e o Emílio[7]

Para a autora Ceriza, não há como o Emílio ser um manual prático sobre a educação, mas um estudo filosófico sobre a natural bondade do homem, que na criança, percebe-se que ainda não foi corrompida pela sociedade.

Algumas das propostas de Rousseau para Educação[8]:
-          Laissez faire[9]: aprendizado autônomo, sem interferência de adultos, mas ao mesmo tempo ele fala sobre não abandonar o menino enquanto este não for homem.[10]
-          Trabalhar cada fase da criança até a idade adulta, isto é, de seu nascimento aos 25 anos;

O homem natural:
-          Para Rousseau o homem é naturalmente bom.[11], quando o homem é “desnaturado”[12], ele passa a ser um ser social. Aqui se forma o homem, na vida natural.
-          A criança no estado natural é tão dependente quanto o homem na sociedade.

O homem social:
-          Aqui, na sociedade, o homem é destinado a se submeter aos piores vícios e degradações. Sente-se que para o Autor[13] não vê solução depois do homem inserido e educado na sociedade que promove a desigualdade, ele não estará mais liberto de suas calamidades. Forma-se o cidadão.
-          Ele gostaria que seu Emílio vivesse em outro século, o que não é apenas um ideal inatingível.

Emílio e a sua história

Em Emílio, sentimos questões autobiográficas, como por exemplo, o a orfandade de Emílio, pois Rousseau ficou sem sua mãe no nascimento e ainda muito jovem seu pai o abandonou. Nos momentos que ele exige que a criança seja autônoma, nos perguntamos: será que ele sentiu esta necessidade em sua infância? Será que ele desejou isolar-se em sua adolescência em uma ilha e lá viver e sobreviver como seu herói recomendado Robinson Crusoé? Ele foi um solitário, ele foi um preceptor[14], Rousseau foi tanto Emílio, como o preceptor de Emílio. Será que podemos afirmar isto?
A infância[15] parte tão importante da vida[16], tornou-se uma das fases a ser estudada e reavaliada em sua obra, pois até então, esse período na França do século XVIII, não era definida como algo diferente do adulto, não havia um tratamento diferenciado, era apenas um pequeno adulto, imperfeito e incompleto. Não havia tempo para ser criança ou adolescente, logo se era adulto, quando conseguia sobreviver, pois era muito raro sobreviver após os 8 anos.
Começa a dizer que os primeiros ensinamentos e acolhimentos devem ser proporcionados pela a mãe e não pelas amas-de-leite, para ele as mulheres haviam abandonado seus deveres de amamentação e cuidado, e só recebiam a criança novamente no seio da família depois dos anos críticos[17], isto é, pelos 8 anos de idade como era comum e já havia a socialização como qualquer membro da família, ele não era a criança, o adolescente e o adulto, não havia esta distinção. Rousseau, não só critica a indiferença, mas também crítica a superproteção[18], o que levava a debilitação e despreparados para vida[19].
E depois o pai[20] deveria educar, prover as bases materiais, afetivas e morais[21] da criança[22], essa educação não deveria ser delega a um professor.
Mas logo em seguida, ele trata-se como preceptor de Emílio, sendo aquele o qual a criança deve obedecer[23], embora deva honrar os pais. Este preceptor tem que orientá-lo a vida natural, mas como alguém pode orientar ao natural se esse mesmo preceptor talvez não tenha sido orientado ao natural[24]? Causa estranheza essa questão de um orientador, pois a criança será orientado por um adulto[25], isto é, não será tão autônoma como próprio Rousseau deseja e nem pelo pai, como seria o ideal.
 Parece um pouco contraditório[26], mas é uma das únicas formas que encontramos para entender como alguém pode conhecer seu aluno, pois comparando com o ensino de hoje, em que ficamos com uma turma apenas um ano[27], o que torna quase impossível o conhecer e sim apenas reconhecer certas atitudes. É claro que Rousseau está tratando de sua época, mas nós devemos observá-lo também com nosso olhar atual para entender nossos erros e acertos[28].

Emílio e seu ser

Para Rousseau, a escolha do aluno também é importante, incluindo ser uma pessoa comum de um lugar de clima temperado, pois em lugares de climas muito quentes ou muito frios não poderia contribuir para seu aluno.
O aluno deve ser forte e saudável, Rousseau se diz não capaz de trabalhar com alguém que só pensa em não morrer.
Vê no aluno com melhor situação financeira o menos apto para receber a educação natural, e o aluno de menor posição aquisitiva terá mais chances de torna-se homem por si. Mas ensinando ao rico terá certeza que o fez torna-se um homem.
Além disso, o aluno e o preceptor devem ser amigos, há de existir um pacto entre eles, que inicie na infância e que continue até a idade adulta.


Como “cuidar” e “educar” do Emílio

Evitar o médico é essencial para Rousseau, pois a criança deve curar-se naturalmente, a única parte da ciência que ele aceita é a higiene.
A escolha da ama deve estar a cargo do preceptor. Deve ser uma só e com boa saúde.
No caso da alimentação, a mulher camponesa que come vegetais tem melhor leite. Condena temperos, frituras, etc.
A higiene deve ser feita com banho de água morna.
Necessário conhecer o caráter para orientá-lo. A educação varia de acordo com o indivíduo, porque o homem não está pronto ao nascer, ele vai formando-se tanto externa como internamente.
Em A nova Heloísa, Rousseau afirma: “Cada um traz, ao nascer, seu temperamento particular, que determina seu gênio e seu caráter; não se trata nem de mudar nem de coagir, mas formar e aperfeiçoar”.[29]

Na orientação, é essencial fornecer objetos, cuidar para não repetí-los, porque objetos conhecidos não serão mais vistos com horror ou medo na idade adulta, isto é, conhecer para não temer[30].
O papel do adulto é orientar e organizar, assim fazendo uma prática para liberdade, que seria um hábito natural, de se fazer o que se pode.

Máximas para o trabalho com criança:  - proporcionar liberdade bem regrada;  - atender necessidades, porque são naturais; - ignorar os desejos, porque são frutos da opinião;  - entender a linguagem e os sinais da criança para descobrir os sentimentos que estão por trás” [31]


Fases e atitudes a tomar segundo Rousseau

a)A comunicação
O choro e o grito é o modo de comunicação para diminuir ou atenuar as necessidades, é uma forma de pedir auxílio, mas deve-se cuidar, pois podemos invés de auxiliarmos, estamos obedecendo, e isto não será bom para educação, a criança não pode dar ordens, mas também não deve ser submissa[32]. Não se faz concessão aos desejos, só as necessidades.
Rousseau defende a bondade inata, porque ele só entende o mal e o bem com a razão[33].

b)Dentes e desmame
Para Rousseau, a época para criança para de mamar é quando começa a dentição. Nesta fase aconselhou dar objetos moles para serem levados a boca, pois na época davam as crianças objetos de ouro, prata e etc., como chocalhos.
Frutas secas, pedaços de pão duro, pirulitos de alcaçuz são aconselhados pelo Autor, isto serve também para ir substituindo o leite por outros alimentos.

c)Linguagem
Às vezes, as crianças aprendem mais a entender o tom do que a palavra. Outro assunto que é destacado, é que a criança não deve ser corrigida, o certo é falar corretamente na presença dela, pois assim ela mesma se corrigirá.
Também não se deve tentar adivinhar, devemos ter paciência e esperar ela falar.

Livro segundo
Trata da criança dos 2 aos 12 anos

a)Linguagem

O choro é substituído pela fala, se continua a chorar a culpa é de quem está a sua volta obedecendo seu choro[34]. Não devemos atender ao choro, somente em caso de acidente, mas o adulto deve manter a calma.
Na fala temos que cuidar os tons, pois como vemos os exemplo abaixo, pode vir destorcido.
POR FAVOR! = EU QUERO
EU PEÇO = ORDENO
DESCULPA = NÃO QUERO PEDIR DESCULPA, ESTÁ SAINDO DA BOCA PARA FORA

b)Aprendendo a andar

Terá contatos físicos novos, novas situações, novas sensações, inclusive de dor. Aprender a sofrer para aprender a enfrentar.
Aprender a andar deve ser sozinho sem artificialidade.
           
c)Atitudes do educador para Rousseau

-                     Deve dar o que precisa, não o que deseja;
-                     Não deve obedecer;
-                     Prestar atenção no motivo do pedido;
-                     Abolir: obedecer, mandar, dever e obrigação;
-                     A razão deve ser acompanhada pelo sentimento;
-                     Abdicar características pessoais, vontades e desejos.


d)Felicidade[35]

Afastar-se da natureza própria, adquirir algo além do seu ser, isto é, sobrepor-se a sociedade, então haverá uma disputa sobre a maior força, ou a maior sabedoria.

e)A dominação e a liberdade[36]

Ser livre e ser senhor de si na liberdade civil, logo, não se é livre, pois nos tornamos escravos de uma moral que a sociedade imprime.

f)O homem livre[37]

A liberdade é a independência e autonomia.

g)A liberdade e a dependência[38]

Como a criança não se basta para si, tem que ter a ajuda do adulto, mas este que fazer que esse não dependa e nem se submeta por não fazer sozinho.

h)O Amor de si mesmo[39]

O amor a si mesmo é bom, mas o amor-próprio é ruim, pois este exige que os outros amem a nós. Amor de si é necessário para autoconservação.

i)Educação negativa[40]

Preserva dos vícios ao não ensinar as virtudes. Primeiro prepara os sentidos para depois chegar ao conhecimento.

A tônica da abordagem educacional favorecida por Rousseau é a idéia de "educação negativa". Ele quis dizer com isso que se evite controlar, dirigir, admoestar ou forçar a criança a todo o instante. Devemos, pelo contrário, perceber que existe um curso naturalmente saudável e ordenado no desenvolvimento do corpo, raciocínio e sentimentos de uma criança, e o papel do educador consiste em respeitar a integridade desse desenvolvimento, em dar espaço e oportunidade para que ele ocorra em seu modo e tempo adequados, e em ajustar as lições da criança de forma que sua atenção seja atraída direta e imediatamente em conformidade com o seu nível corrente de interesses e aptidões. Com esse procedimento, a criança quase não se apercebe de que está recebendo instrução. Pensa que é tudo diversão e que está sendo ajudada a fazer o que seus poderes e inclinações nascentes a teriam, de qualquer modo, estimulada a fazer.[41]


Pensamentos e análises finais deste período na vida de Emílio

No ensinar, não tente ver a criança com entendimentos adultos, ela tem seu próprio modo de conhecer. As respostas devem conforme o nível de cada aluno.
As noções de propriedade e estado devem ser básicas e suficientes para que não haja problemas futuros, além de tentar retardar o máximo este conhecimento. Rousseau da o exemplo do jardineiro para a ideia de propriedade e de pacto.
Rousseau descreve a seqüência completa dos cuidados diários que Emílio tem com a plantação de favas, até que num determinado dia encontra seu canteiro destruído. Ele experimenta, pela primeira vez, o sentimento de injustiça.
Segue-se a descoberta do autor do “crime": o jardineiro Robert. Mas ficam estupefatos quando o jardineiro os repreende - sem lhes dar aparte -, uma vez que, ao plantar suas favas, haviam destruído uma plantação de melões-de-malta, muito preciosa, feita pelo próprio jardineiro.
O jardineiro, o preceptor e Emílio põem-se então a discutir sobre o respeito que se deve ter pelo trabalho alheio e, principalmente, pelo proprietário da terra, no caso, seu primeiro ocupante, através do trabalho.
Nesta tentativa de incutir nas crianças as noções primitivas, vemos como a idéia de propriedade remonta naturalmente ao direito do primeiro ocupante através do trabalho. Isso é claro, evidente, simples e sempre ao alcance da criança. Daí ao direito de propriedade e às trocas, basta um passo, após o qual é preciso simplesmente parar”. (Emílio, 1992:87).
Durante essa discussão, as partes acabam por estabelecer um pacto com Robert: “Que ele nos conceda, a mim e ao meu pequeno amigo, uma parte do seu jardim para que possamos cultivá-lo, com a condição de que ele tenha a metade do produto”. (Emílio, 1992:87).
Novamente, o acordo surge como a possível saída para os conflitos, sempre com a aquiescência das partes envolvidas. Dessa forma, Emílio recebe as primeiras lições práticas acerca do contrato e aprende a se submeter às próprias leis sobre cuja feitura foi chamado a deliberar - o pacto entre ele e Robert.
Cabe ressaltar a opção por desenvolver as idéias de liberdade, partindo do conceito de propriedade, e de vinculação entre o direito à propriedade e o trabalho que nela é desenvolvido. Esta é, aliás, a teoria de Locke em seu Segundo Tratado sobre o Governo Civil, que diz, aproximadamente, o seguinte Eu sou proprietário da coisa que meu trabalho criou. Um campo inculto não é nada; ele só se torna alguma coisa pelo trabalho humano. Pertence, então, de direito àquele que o semeou e fecundou.
O exemplo do jardineiro serve de pretexto para que Rousseau advirta que, embora só tenha precisado de duas páginas para explanar a questão da propriedade, na prática levará por volta de um ano, “[...] pois no campo das idéias morais não se pode avançar muito lentamente, nem se deter demais”. (Emílio, 1992:88).[42]

Para tratar com um aluno destrutivo, deixe que ele sinta as privações do que destruir, não se queixe, deixe que ele sinta.
Preceptor: Não se zangue! Não se queixe!
O castigo não pode ser castigo. Porque se teme o castigo, mentirá.
O homem natural, não tem porque mentir e a mentira sobre o futuro no caso da criança, pode ser que ela não ontem da o que é futuro.
Em relação as virtudes, o bem só pode ser no homem só, porque o bem de um e o mal de outro na sociedade o jeito é tentar fazer o melhor na infância para que seja um bom cidadão.
O aluno gênio ou estúpido? Criança não pense como adulto, logo, suas grandes ideias não são da mesma forma que os adultos e por isso que o estúpido e o gênio não faz grande diferença.
Rousseau ainda afirma que uma criança de menos de 12 anos não possa aprender 2 línguas, pois as coisas para serem ensinadas as crianças devem ter um sentido e isto não se restringe a língua, também aos outros conteúdos didáticos como historia e geografia. A memória não é algo para "encher" de teorias, mas para facilitar o cultivo da mesma, no que lhe faz sentido para futuramente usar. A geometria é ensinada de forma errada, o preceptor deve usar jogos e exercícios que o aluno participe ou manuseei.
Não ensinar fábulas[43], vocabulário difícil e dá o resultado no final.
Tudo que faz imaginar não é aconselhável para não despertar desejo.
Em relação a livros e leitura, ele deve querer ler descobrindo sua necessidade, assim ele aprenderá ler porque quer.
Os sentidos também são formas de aprendizagem, deixe a criança observar, tocar...e a vista para ser livre, nada de roupas apertadas, devem ter cores alegres e serem peças simples, cabelos curtos.
Devem ter horário para dormir e para acordar e este acordar não pode ser por outros, e sim sozinho.
Não tente ganhar tempo ensinando pois as vezes perder tempo se aprende mais brincado e sendo feliz, o lúdico é necessário crianças pensam diferente, elas tem boa memória, mas tem raciocínio diferente de adulto, por isso temos que aprender novamente em adulto o que foi nos ensinado quando criança.
O propósito pode ser de aproximação do oferecido, a dedicação do professor, o cuidado a sua própria educação, pois este será exemplo.
Rousseau não vê para suas afirmações sobre educação uma forma de aplicar no mundo que não é mais natural..

  

Conclusão

Na obra de Rousseau, todos seus argumentos relacionados com seu estilo de educação, até mesmo de tratamento da criança, pode nos dias de hoje serem aplicadas muitas de suas teorias, afinal, ele foi um teórico com um aluno imaginário.
Podemos perceber que a sua contribuição para a criança de sua época foi inovadora e auxiliadora, pois fez seus contemporâneos pensar sobre a infância, tão abandonada e vista como algo imperfeito que seria perfeito na idade adulta.
Alguns dos seus contemporâneos concordaram, outros discordaram, mas para ambas escolhas, pode se perceber que leram, e ser lido, já era um ato de respeito pelo seu trabalho.
Não sabemos o quanto esse afastamento da sociedade vista apenas como corruptora, pode favorecer nossos “Emílios”.
Na minha opinião, as crianças deveriam ficar mais afastadas da sociedade adulta, isto é, de seus assuntos, visto que hoje a criança participa de todas as preocupações, decisões e deixam de ser um pouco mais preservadas.
A criança em contato com a criança sente-se feliz porque tendem a se entender mesmo depois de desentendimentos.
Elas têm um tempo diferente, elas perdoam facilmente, tudo parece mais fácil na infância.  E tirar essas concepções muito cedo, pode fazê-las não viver futuramente, mais livres, mais felizes, é apenas mais uma pessoa como muitas que denominamos “sem infância”, mas porque? Foram elas que assim decidiram? Ou foram os adultos que tomaram essa decisão?
O que Rousseau talvez não tenha dito, ou nem tenha intencionado dizer, é que deveríamos cuidar da infância, preservá-la, não precisava ou não precisa de regalias, luxo ou outros artefatos de adultos para serem felizes, apenas permitir que viver cada fase de sua vida como ela assim permite: ser criança, adolescente e adulto, nem adiantar e nem retardar.




Bibliografia:
CERIZARA, B. Rousseau: a Educação na Infância. SãoPaulo:Scipione, 1990.
DENT, N.J.H.Dicionário Rousseau. Rio de Janeiro: Zahar, 1996
ROUSSEAU, J.-J. Emílio, ou, Da educação. Trad.Roberto Leal Ferreira. 2ª ed. São Paulo:Martins Fontes, 1999








[1] Não vejo o homem selvagem como perfeito ou bom, afinal, o homem que temos hoje e que Rousseau teve em sua época é descendente deste homem, se ele é o que é hoje, é porque o homem sempre foi o que é, se todos eram iguais e todos interessavam-se um pelo os outros, e um deles resolveu escravizar ou ser dono da terra, os outros permitiram e acreditaram ser uma boa ideia se sujeitar, logo, este mesmo homem que pode ser fadado como o “Ruim”, não é mais do que qualquer outro, sua origem é a mesma do homem selvagem, não há como dizer que ou separar onde é o início do homem selvagem e seu fim, ele é o que é e sempre será. Talvez hoje seja um homem arrependido, mas não diferente do que sempre foi. Acredito que se tudo começasse novamente, iria ocorrer o mesmo. Não estou falando aqui sobre pecado original ou qualquer outro tipo de teoria da época, mas sim na essência do homem, em sua atitude individualista, em sua própria autoproteção.(Érica)
[2] Amor-de-si-mesmo.

[3] Todas as vezes que for mencionada “a autora”, faço referência a Beatriz Ceriza.
[4] Séculos das Luzes - Iluminismo
[5] Não é crítica a ciência, mas as afetações...
[6] “Cultivo do gosto pelo luxo, a vaidade, cortejo dos vícios”.p.2 CERIZA
[7] Aluno imaginário de Rousseau
[8] Em sua obra, o Autor não tem interesse em criticar a educação de seu tempo, mas como formar um homem.
[9] Homem natural.
[10] P.17 CERIZA
[11] Idem a 1ª nota. Embora não se trate do homem moral, o que para mim é apenas uma denominação, mas ainda vejo a capacidade do homem ser o que é e não poder ser outra coisa além do que está aí. O homem, um animal político, como dizia Aristóteles, condiz mais com minha opinião. O animais vivem em sociedade, e tem lideres, logo isto também apresenta semelhança ao homem selvagem, que também precisa de um “bando” e talvez um líder. Eu estou dizendo que o homem precisa de lideres? Não. Estou dizendo que o homem forma uma sociedade com líderes. (Érica)
[12] Uma instituição social só consegue exercer sua função quando consegue desnaturar o homem.
[13] Quando falo o Autor, refiro-me a Rousseau
[14]irou preceptor dos dois filhos do Sr. de Mably, em Lion, em 1740.Foi mal sucedido.Os alunos não aprendiam e ele não sabia ensinar. Pediu demissão.” (Rousseau - um pensador angustiado) http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/rousseauangustiadoresumos.html no dia 30/07/2013
[15] No primeiro livro, do nascimento aos 2 anos.
[16] Vista com um olhar atual.
[17]A infância nesta época era conturbada, havia poucas condições de higiene e a medicina era precária, o que resultava em um alto índice de mortes.
[18] É na infância que se deve sentir as dores, o males físicos.
[19] “Deve ser expostas às provações e experiências” p.17 Ceriza
[20] Autoridade estabelecida em dever e não em poder.
[21] P.17
[22] Manda e o obedece.
[23] O preceptor muitas vezes é dado como governante.
[24] Aqui ele é apenas um ideal, imaginário.
[25] As vezes da a entender que é um adulto, outras vezes que deve ser muito jovem, quase com a idade da criança.
[26] Rousseau também percebe algumas de suas contradições.
[27] Refiro-me aos anos iniciais, pois então o período de contato seria muito menor.
[28] Muitos mais erros que acertos, pois alguém que garante acertar, e vê no outro despreparo e vê em si preparo, com certeza está equivocado, afinal somos pessoas e estamos sempre em construção, o próprio conhecer é uma construção e não pode ser caracterizada como pronta. E conhecer um aluno não quer dizer que eu conheça todos, cada um possui suas características, embora como Piaget nos fale sobre fatores que permanecem e igualam as condições de conhecimento, quando passamos a ver a personalidade, sabemos que passa a haver uma imensa possibilidade de personalidades. Ele mesmo fala em considerar particularidades e caráter.
[29] P. 39 Ceriza
[30] A criança não deve ser altiva nem medrosa.
[31] Ceriza. P.27
[32] O essencial é evitar a dominação de ambas as partes.
[33] Mas podemos também relacionar com a falta de força. Não fazemos o mal por falta de força, então podemos usar de um mal gritando. O choro excessivo para ganhar o que se quer também é um tipo de maldade.
[34] Podemos notar que na maioria das vezes não sai uma lágrima. (Érica)
[35] P.32 Ceriza
[36] P.33 Ceriza
[37] P.33 Ceriza
[38] P.34 Ceriza
[39] P.38 Ceriza
[40] P.38 Ceriza
[41] Dicionário de Rousseau. P.38
[42] CERIZA. P. 42
[43] La Fontaine

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