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sábado, 23 de junho de 2012

ESPAÇO PÚBLICO EM PELOTAS: PRAÇA CORONEL PEDRO OSÓRIO


 TRABALHO DE FOTOGEOGRAFIA - BACHARELADO DE GEOGRAFIA-UFPEL 2012

 

ESPAÇO PÚBLICO EM PELOTAS:

PRAÇA CORONEL PEDRO OSÓRIO


Érica Machado Leopoldo
INTRODUÇÃO

Quando pensamos em Espaços Públicos, logo visualizamos sua definição como sendo algo em que podemos exercer nosso direito de ir e vir, assim como diz nossa Constituição, geralmente mantido por órgãos públicos. Mas toda vez que pedimos a alguém para denominar, dar um exemplo de um Espaço Público em sua cidade, na maioria das vezes a primeira resposta é praças.

É por este motivo que este trabalho pretende apresentar um dos muitos Espaços Públicos em Pelotas e talvez um dos mais conhecidos: a Praça Coronel Pedro Osório. Além de descrever seu atual momento e sua história, também um trabalho fotográfico. Logo podemos afirmar que este trabalho é sucinto, pois esta Praça tem muito mais a oferecer.
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Em geral as praças são construídas nas cidades[1] para servirem publicamente a população onde os mesmos desfrutam de momentos de lazer, lugares onde crianças tenham a disposição balanços, gangorras, já os adultos tenham bancos para descansar, conversar, em alguns lugares observarem e admirarem esculturas, ou usufruindo da proteção e ou da sombra de árvores.

Mas nas cidades grandes, nas quais servem de pólo para as cidades da vizinhança[2] , as praças tem a função de local para descanso das pessoas que fazem compras e para funcionários das lojas vizinhas em horário de almoço ou café, para idosos se encontrarem e para algo muito comum, embora não seja aceito e muitas vezes assunto ignorado - a prostituição.

A Praça Coronel Pedro Osório (nome)


A Praça circunda hoje pelas Ruas Félix da Cunha[3] , Pe. Anchieta, Lobo da Costa[4] , XV de Novembro, Marechal Floriano, Princesa Isabel, Barão de Butuí e Praça Coronel Pedro Osório, leva este nome atualmente em homenagem a uma das muitas obras de Antônio Caringi que estão nesta praça, foi a homenagem ao Coronel Pedro Osório, vulto histórico que apesar de não ter nascido em Pelotas se fez conhecido e admirado aqui através de suas empreitadas na vida pessoal e política.

E Pedro Osório nem era Pelotense; era de Caçapava, onde nascera na estância de seus pais, em 9 de junho de 1854. Chegou a Pelotas em 1871. Foi caixeiro – em início bem humilde – para depois, sim ser dono de charqueadas, criador de gado, suínos e eqüinos, e o primeiro plantador de arroz em larga escala, do Rio grande do Sul. Foi saudado, nacionalmente pela imprensa carioca, como o ‘Rei do arroz’, e recebeu o título rio-grandense de ‘Príncipe das Searas’. (VAROTO E SOARES, 1997, p. 63 a 64).

Esta Praça já possuiu o nome de: Praça do Teatro, Regeneração, D. Pedro II, novamente Regeneração e Praça da República.


Alguns dos objetivo(s) primordial(ais)


Existiu na Praça um Pelourinho com função de castigar escravos[5] e criminosos[6] , que foi colocado justamente para dar autonomia[7] a cidade em 7 de abril de 1832, conseguindo se Elevar a VILA[8] , nesta época a Praça tinha o nome de Regeneração.

Em 10 de fevereiro de 1846[9] foi colocada a pedra fundamental de uma Igreja Matriz (ao lado da Biblioteca Pública), a qual nunca foi erguida.

O chafariz Fonte das Nereidas não veio somente embelezar a praça, mas também serviu para fornecer água potável em barris a população pelotense.

Atualmente, a praça tem em sua função servir a população pelotense e aos visitantes como local de descanso, lazer, apresentações artísticas e feiras como a principal delas: a Feira do Livro, que traz além de obras literárias também autores renomados para tardes de autógrafos.

Então podemos dizer que hoje o principal objetivo da praça é proporcionar lazer e cultura aos pelotenses.


O que se observa ao redor da Praça: Prédios


Biblioteca Pública de Pelotas, fundada em 5 de março de 1876;

Teatro Sete de Abril, primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1834[10] ;

O Grande Hotel, fundado em 1920[11] ;

Mercado Público, embora não tão próximo, mas podendo ser visto da Praça. Iniciado em 1847 e terminado em 1853;

Prédio da Secretaria das Finanças do Município, construído em 1926, com intuito de sediar o Banco do Brasil [12];

Prédio da Prefeitura, construído em 1878 para sediar a Câmara;

Casas Geminadas;

Casa do Sen. Assumpção (Faculdade de Turismo – UFPEL);

Residência do Charqueador Viana (Secretaria de Cultura);

Residência do Barão de São Luis;

Residência do Conselheiro Maciel;

Casa de Pompas Fúnebres;

Quartel Revolução Farroupilha;

Clube Caixeiral.


Podemos observar hoje no ano de 2012 ao redor da Praça algumas entidades financeiras como HSBC, Bradesco, Itaú, existe também o DCE da UFPEL, um estacionamento, há também um prédio acima do Banco HSBC que foi iniciada a construção, mas os responsáveis decretaram falência, o que mantém a obra parada já alguns anos, este mesmo prédio tem entrada tanto pela Praça Coronel Pedro Osório e pela Rua Andrade Neves (onde algumas lojas que tinham como endereço o Mercado Público estão temporariamente instaladas até o término da reforma do Mercado).

  
O que se observa no interior da Praça

Em qualquer uma das suas oitos entradas, nota-se a quantidade de árvores e arbustos diversos, o que com um olhar mais detalhado podemos ver pequenas placas junto as plantas identificando o nome[13] de cada uma delas - em sua maioria. Em seguida observamos sua arquitetura que apesar de conservar muito de seu original, já passou por diversas mudanças (como o estilo dos bancos) e reformas que foram[14] ou não necessárias[15] .

a) Monumentos que existem hoje em 2012
Fonte das Nereidas;

Monumento Domingos José de Almeida;

Estátua Coronel Pedro Osório;

Busto Urbano Garcia;

Homenagem a Miss Universo Iolanda Pereira;

Busto Dr. Miguel Barcelos;

Relógio Solar;

Busto Dr.Francisco de Paula Amarante;

XXVII JIRGS;

JIRGS 1970;

Monumento as Mães;

Monumento aos Portugueses;

Monumento Poesia “Nos jardins de Pelotas”;

Dia Mundial do Turismo;

Monumento José Brusque Filho.

Os Monumentos não estão bem cuidados e possuem marcas do vandalismo, a depredação está exacerbada com pichações, quebras de placas e até mesmo algumas foram arrancadas deixando apenas as marcas dos furos nas pedras por onde eram presas, percebesse que nos últimos anos (mais ou menos 7 anos) se agravou esse tipo de ato destrutivo contra bens públicos[16] em Pelotas.

b) Descrição da vegetação

As plantas existentes na Praça estão na sua maioria identificadas com placas possuindo nome científico, nome popular e além de existir uma placa próxima a Ilha descrevendo as plantas do local.

Existem plantas das seguintes famílias: anacardiaceae, annonaceae, apocynaceae, araucariacae, bignoniaceae, bombacaceae, borraginaceae, caprifoliaceae, aycadaceae, cupressaceae, euphorbiaceae, fabaceae, fagaceae, ginkgoaceae, lauraceae, lythraceae, magnoliaceae, malvaceae, melastomataceae, meliaceae, moraceae, muscuceae, myrsinaceae, mitaceae, olebaceae, palmae, phytolaccaceae, pinaceae, pittosporaceae, podocarpaceae, rhamnaceae, rubiaceae, rutaceae, sapindaceae, solanaceae, taxodiaceae, tiliaceae, ulmaceae e verbenaceae.

Qual o aspecto social da praça

Como já vimos anteriormente, a principal função hoje da Praça é do lazer e da cultura, quando observamos a praça, vemos muitas pessoas freqüentando, crianças nos brinquedos, adultos sentados nos bancos “esperando o tempo passar” como alguns dizem, dificilmente não há alguém fotografando a Fonte da Neireidas.

Também a muitos freqüentadores com violões, isto se faz interessante, pois não sabemos se a praça pode estar se tornando um ponto de novos talentos, vemos pessoas solando em violões e também alguns até em dupla ou mais cantando em seus bancos. Casais de namorados, principalmente adolescentes, que depois das aulas se encontram para conversar.

Com a póda das arvores e a revitalização da praça (em parte), hoje ela está mais frequentada, as pessoas tem mais audácia de passar uma vez pelo interior e depois de perceber que há guardas do município, termina por frequentar mais vezes.

Já o que não podemos admirar são crianças pedindo dinheiro[17] , muitos cães abandonados e a noite moradores de rua e algumas pessoas que não apresentam estado de normalidade[18], além de pessoas vendendo o próprio corpo para sobreviver. O que se percebe destas pessoas é que na maior parte, eles não perturbam os frequentadores. A maior perturbação dos freqüentadores é que estas pessoas não tenham ajuda.

Estes casos deveria ser averiguado pelos órgãos sociais que existem em nossa cidade.

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CONCLUSÃO

 Logo, ao fazermos uma análise sobre o contexto de um Espaço Público, neste caso a Praça Coronel Pedro Osório, então percebemos que os acontecimentos públicos e privados na vida de cada pessoa tem reflexos em suas lembranças, desejos de mudança, e algo que às vezes parece ignorado pela sociedade, na verdade é muito presente.

Quando falamos em seus fatos históricos, quando vemos suas transformações em seus aspectos físicos através das fotos e quadros mostrando seu desenvolvimento através dos anos, percebemos o orgulho e também revolta.

Quando observamos a atualidade, os sentimentos não mudam muito, pois a lembranças recentes são saudosistas, as melhores lembranças fazem parte da infância, talvez seja porque na infância algumas crianças não tendem a ver os erros e sim o belo[19] nas coisas que estão a sua volta, não vê as diferenças sociais, os aspectos nas mudanças físicas do material. Talvez tenhamos que ter uma visão infantil sobre o local e adulta para tentar preservá-lo e mudá-lo para melhor do que está hoje.


Notas de rodapé
[1]Tanto cidades pequenas ou metrópoles


[2]É o caso de Pelotas, que serve de pólo (em casos de saúde, estudo universitário ou de comércio) as cidades vizinhas como Piratini, Canguçu, Morro redondo, Cerrito etc.

[3]“Félix Xavier da Cunha (Porto Alegre, 16 de setembro de 1833 — Porto Alegre, 21 de fevereiro de 1865) foi um poeta, advogado, jornalista, escritor e político brasileiro.” Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9lix_da_Cunha dia 09/06/2012 as 10:24

[4]Poeta Pelotense 1853-1888. Fontes: http://historiadoteatroufpel.blogspot.com.br/2009/08/o-poeta-francisco-lobo-da-costa.html e http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_da_costa .

[5]Pelotas deu a liberdade aos seus escravos antes a realizada no país e foi um pelotense João Alfredo que elaborou a Lei para a assinatura da Princesa Isabel.


[6]LEÓN, Zênia. Pelotas sua história e Sua Gente. P.38 a 40

[7]Só existia autonomia a partir do momento que o local pudesse por em prática suas leis.

[8]Sua Elevação a Cidade se deu em 17 de junho de 1835.

[9]Com a presença do Imperador D. Pedro II.

[10]Fonte: http://www.teatrosetedeabril.com.br/historico/historico.htm, no dia 09/06/2012 as 10:07


[11]Fonte: Sua História sua Gente de Zênia de León

[12]Fonte: Sua História sua Gente de Zênia de León

[13]Também o nome científico.


[14]O gradil do lago substituído por sua ferrugem.

[15]Um exemplo de reestruturação que não foi bem observada foi que para colocar uma obra artística, foi removida outra, isto é, para colocar a Estátua do Coronel Pedro Osório foi retirada e destruída a planta da cidade feita em mosaicos pela firma Nogueira e Filho. Fonte: LEÓN, Zênia. Pelotas sua história e Sua Gente. P.53 a 54

[16]E privados
 
[17]O que há em todo o centro da cidade, não se sabe como está realmente acontecendo o trabalho dos assistentes sociais, já que está escancarado essas crianças sozinhas (ao menos é o que parece) nas ruas centrais (a maioria perto de barracas de comida na Rua Andrade Neves).


[18]Lucidez, por ter sido caudado por bebidas e etc. Só podemos afirmar através de exames clínicos.

[19]“Belo é o que é conhecido sem conceito como de uma complacência necessária.” CFJ.p.86


 
BIBLIOGRAFIA


KANT, Immanuel. Crítica da Faculdade do Juízo. Rio de Janeiro: Forense, 2005


LEMOS, Jane Eire Souza. Monumentos da praça Central de Pelotas. Pelotas, 2005. 91 p. Tese: Graduação Licenciatura Plena em Geografia. UFPEL, Pelotas,2005.


LEÓN, Zênia. Pelotas e sua gente. Pelotas: Universitária/UFPEL, 1996.


TUAN, Yi-Fu.Topofila. Um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: DIFEL, 1980.


VAROTO, Renato Luiz M; SOARES, Leonor Almeida de S. Lendo Pelotas. 3 ed. rev. E ampl. Pelotas:Editora Universitária – UFPEL, 1997.




DECLARAÇÕES ESPONTÂNEAS SOBRE O SENTIMENTO
 CAUSADO PELA PRAÇA CORONEL PEDRO OSÓRIO

só publicarei em revista científica.

 

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