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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CRENÇA X CIÊNCIA

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INTRODUÇÃO



Desde que o homem começou a pensar, raciocinar ele procurou dar explicação para os acontecimentos naturais da tratando-os como sobrenaturais e conseguiam dar respostas a questões óbvias (como exercendo força se é capaz de quebrar um osso) e foram descobrindo que era possível transformar a natureza e isso seria um princípio de ciência contrapondo a existência de algo muito forte –as crenças– a religiosidade onde as questões são solucionadas de forma simples e sobrenatural onde não há provas (cientificas de que isso e aquilo se forma desta maneira) como na ciência, mas tem a fé de quem acredita e não contesta o que lhe é passado durante séculos.
A religião e a ciência se mantêm firme e andam paralelamente, mas e não juntamente.Pois que a religião sempre tentou e muitas vezes conseguiu inibir pesquisas. Mas porque ela consegue toda essa façanha? Porque tem quem a acredite e a defenda sem se questionar se isto que está fazendo tem algum fundamento e é verdadeiramente benéfico para humanidade.




RELIGIÃO X CIÊNCIA


“No desenvolvimento da cultura humana, não podemos fixar um ponto onde termina o mito e a religião começa. Em todo curso de sua historia, a religião permanece indissoluvelmente ligada a elementos míticos e repassada deles”¹.



A religião começa através dos mitos, e durante séculos continua apresentando os mesmos fatos, dando soluções através de parábolas, histórias mitológicas etc.
Já a ciência para se manter com credibilidade tem que evoluir e provar a todo tempo que está correta, tem que ter inteligência, uma tese convincente e principalmente provar que isso será bom e que não haverá falhas já que os resultados são rápidos e expostos a críticas, e basta uma falha no ato cientifico para maioria ficar descrente.



A RELIGIÃO

“ As religiões não se inculcam à força. Nada existe que seja mantido , tão voluntariamente, como a fé. Toda a via da e o poder da verdadeira religião consiste na intíma e total persuasão do espírito; e a fé não é fé sem crença ... E tal e a natureza da compreensão, que não pode ser compelida à crença de coisa alguma pela força externa. Ninguém nasce membro de uma Igreja qualquer ... mas cada qual adere, espontaneamente, aquela associação em que acredita ter encontrado aquela profissão de fé e o culto que verdadeiramente sejam agradáveis a Deus.”²


Já a religião é usada como uma forma de poder para quem não tem poder. Pois é mais fácil adquirir seguidores pelas perspectivas de um futuro mais feliz, além de não precisar dar garantias.

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¹Cassier, E. antropologia filosófica. São Paulo, Mestre Jou, 1972. P. 143.
²A Historia e a Religião, Arnold Toynbee pág.350


O SEU PRINCÍPIO



“...A conclusão do Padre Schimidt é que a adoração de Deus, que foi trazida à tona pelas religiões superiores, nos últimos tempo, é uma revivescência, não uma inovação, e é , de fato uma revivescência da religião mais remota da Humanidade”.¹



A religião continua sem mudanças, e muito de hoje é espelhado nos gregos antigos, que séculos antes de Cristo, adoravam deuses e deusas que segundo sua crença viviam no Monte Olimpo.As histórias desses deuses influenciaram temas de várias esculturas, pinturas e outras formas de arte, e ainda hoje despertam o interesse pela beleza e forma como esclareciam os fatos pessoais e os fenômenos da natureza.As semelhanças das crenças de ontem e hoje começaram assim: Havia doze grandes deuses o principal era Zeus seguido de muitos outros deuses de importância menor. Os romanos adoravam muitos desses deuses, alguns com nome diferente dos deuses dos gregos, mas com as mesmas qualidades, defeitos e finalidades. Os deuses gregos eram formas idealizadas, mas com os mesmos defeitos e qualidades dos seres humanos, supostamente diferente do Deus cristão de hoje que é “bom”, “onipotente” e “onipresente”. Há alguma diferença entre a adoração dos deuses no passado e a devoção no Deus de hoje?
Hoje vemos na religião cristã uma doutrina dogmática, que tem um princípio de fé indiscutível de doutrina religiosa, na qual há um Deus detentor de poder e um certo controle sobre os homens e a natureza, Ele é eterno, perfeito, criador e preservador do universo, que os cristãos devem seguir, adorar e respeitar acima de tudo. Para manifestar sua devoção e submissão, o devoto deve seguir os mandamentos da igreja ou templo além de “pagar o dízimo”, porque no “juízo final” haverá o julgamento de quem foi correto e quem foi pecador. Mas se Deus é uma forma de total bondade, se os pecadores se arrependerem no “juízo final”, Ele não deverá perdoá-los também?... Já para os gregos antigos, Zeus igualmente possuía o controle do mundo, onde deveriam obedecer às suas leis, pois punia imediatamente todos aqueles que as violavam. Afim de não descontentar Zeus, os homens ofereciam presentes principalmente por temer sua ira.
No passado havia leis, oferendas e punição imediata. Hoje há mandamentos, dízimo e punição futura, embora alguns acreditem em castigo imediato. Os princípios norteadores dessas crenças são semelhantes, pois se respeitadas as leis, o adorador será preterido, assim como seguindo os mandamentos o devoto será salvo, mas ao descontentar aos deuses ou pecar perante Deus (onipresente) será castigado.

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¹A História e a Religião, pág. 42


Outra semelhança é que na Grécia antiga além de Zeus – o principal dos deuses – havia deuses ou divindades menores, que representavam e eram relacionados a fatos da natureza ou do ser humano. Assim como Eros - cupido para os romanos - (filho de Afrodite – Vênus para os romanos – deusa da beleza e do amor) era o deus do amor, que os gregos antigos acreditavam que quando o seu arco disparava flechas, a pessoa que era ferida apaixonaria-se pela primeira pessoa que ela avista-se, com isso os apaixonados não correspondidos tentavam agradar e fazer o possível para que Eros pudesse ajudá-los a conquistar a pessoa amada. Hoje em dia, principalmente na igreja católica, além de Deus há também os Santos que intercedem pelos humanos que a eles recorrem em uma hora difícil ou querem realizar algum desejo, por exemplo, o Santo Antonio e o intercessor perante Deus na causa dos enamorados, os devotos de Santo Antonio dirigem-se a ele para pedir auxílio e obter ou apressar um casamento.
Novamente vemos que tanto para os gregos antigos (adoradores) como para as pessoas de hoje (devotos) a crença em outras divindades e santos além de Zeus e de Deus são constantes e continuas, tanto que para pedir auxílio em relação ao
amor, por exemplo, todos têm um ser em que acreditam ter o poder para ajudá-los no que mais desejam.



A CIÊNCIA



“CIÊNCIA:s.f. 1.Conjunto de conhecimentos sistematizados, relativos a uma ordem de fenômenos. 2. Saber resultante da posse de conhecimentos sobre variados assuntos.3. Estudo sistematizado, técnico, metodizado e com objetivo certo, princípios determinados, etc. 4. Conhecimento; informação.”¹


Após a morte de Alexandre o Grande, na cidade de Alexandria desenvolveu-se um centro de estudos formado por escolas de diversas ciências que atraiu por sete séculos intelectuais interessados pela variedade de ciências.
Mas esses “cientistas” passaram grandes dificuldades para continuar suas pesquisas principalmente no período medieval considerado a “idade da trevas” onde poucos sabiam ler e escrever além dos monges.
Os fiéis pensavam que a terra era plana e se os navegadores se afastassem muito da costa encontrariam mostros no mar e ainda poderiam cair em cataratas sem fundo pela eternidade. Quando um cientistas Galileu Galilei chegou a conclusão que a terra era redonda – por causada da sombra refletida na lua –logo foi perseguido e forçado a declarar que estava errado para não terminar queimado na fogueira da inquisição. E muitas curandeiras que de geração em geração passavam o conhecimento de ervas e plantas foram queimadas acusadas de bruxaria. Hoje em dia


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¹Mini Dicionário Luf

várias pesquisas são proibidas de proceguir pois a igreja recusa-se a aceitar e condena por exemplo a pesquisas com células-tronco de embriões obtidos por fertilização in vitro, para fins de terapia.

CONCLUSÃO

“...Desde o princípio, a fé cristã é sacrifício...”¹



A fé, a crença, a religião exigem sacrifícios que na maioria das vezes os mentores, pastores, padres -que divulgam as ditas leis de Deus –não passaram. Como negar a pesquisa científica e dizer a uma pessoa que está numa cadeira de rodas que a única chance dela voltar a andar vai contra os princípios divinos? Quando ouvimos que devemos ajudar ao próximo, não seria nossa obrigação auxiliar uma pessoa que vive na cadeira de rodas? E que muitas vezes seu maior desejo é andar ou voltar a andar.
O que os líderes religiosos esperam? Estão condenando pessoas doentes a uma vida sem possibilidades. Mas dessa forma, pelo menos, eles não correm o risco dos crentes se darem conta de que nem tudo é preciso ter grande fé, e sim tratamentos, que não é preciso ir a igreja e pagar o dízimo e que a possibilidade de ser feliz pode ser agora e não depois da morte.



“A crença do homem é tão mais importante na vida do mesmo, do que qualquer descoberta científica que venha beneficiá-lo e salvá-lo, pois a religião crendo na vida eterna, o homem dá valor a vida após a morte mesmo não sabendo o que o espera ele acredita mais no que não conhece.”


O modo de viver mudou e muito nestes séculos, a tecnologia, a perspectiva de vida aumentou, as leis mudaram adaptando-se para ser o mais justas possíveis (embora ainda há muito que mudar para se tornar realmente justo a todos), mas a crença do ser humano em mitos e o medo do que irá acontecer caso seu ato não corresponda ao que as “leis divinas” ordenam, assusta e mantêm muitos no caminho supostamente certo. Dessa forma seguindo esse modelo de crença, serão mantidas sob controle e por muito tempo as pessoas que temem contrariar e questionar “Deus” ou qualquer outra divindade. Devemos ser mais dogmáticos do que céticos, e ter a preocupação em buscar respostas além do que nos é passado durante séculos – de que isso é certo e isso é errado – e saber receber e acreditar no que o homem cria e dessa maneira encontrar o caminho para as respostas para o “conhecimento” e para felicidade.




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¹Para Além do Bem e do Mal. Parágrafo 46

Bibliografia:
1.Luft, Celso Pedro.Prof. Barbosa, Francisco de Assis e Pereira, Manuel da cunha; Mini Dicionário Luft; SP; Editora Scipione Ltda; 1991.

2.Aranha, Maria Lúcia de Arruda e Martins, Maria Helena Pires; Filosofando Introdução à Filosofia; SP; Editora Moderna; 1999.

3. Aranha, Maria Lúcia de Arruda e Martins, Maria Helena Pires; Filosofando Introdução à Filosofia. Editora Moderna.3ª edição revista. SP.2003.

4.Toynbee, Arnold. A história e a religião. Editora Fundo de Cultura, 1ª edição. RJ, 1961. Traduzido do original inglês – An Historian’s Approach to Religion. Publicada por Oxford university Press 1956, London, England.

5.Nietzsche, Friedrich. Para Além do Bem e do Mal Prelúdio a uma Filosofia do Futuro.Editora Martim Claret, SP.2004

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