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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Jeremy Bentham

ÉRICA MACLEO

Definições e comentários de Jeremy Bentham em
relação aos princípios da moral e da legislação em relação ao interesse da comunidade e o interesse pessoal do indivíduo





INTRODUÇÃO






Jeremy Bentham, nasceu em 1748 em Londres, defensor do utilitarismo, lutou e criticou a forma de legislação de seu país. Pois ele via nesta teoria grandes vantagens em relação principalmente a sociedade como um todo, pois ele acredita que o homem vivendo em sociedade e obedecendo regras (leis), ele (o indivíduo parte desta sociedade) será mais feliz e terá seus direito protegidos pelo legislador (pessoa imparcial que decide pela maior e melhor felicidade para a comunidade).
Bentham nesta obra Uma introdução aos Princípios da moral e da Legislação (1789) defende o utilitarismo que substitui o direito natural. Além de estudar formas de aplicar estas regras utilitárias onde todos colaborariam para o bem e felicidade da comunidade (com a maximização do prazer e a diminuição da dor), logo ele mostra que talvez apenas com um certo tipo de lei, aqui estipulada como lei penal, seria possível que todos os indivíduos colaborassem para a felicidade da sociedade em geral. Bentham contou com a colaboração de exímios seguidores como James Mill e seu filho, John Stuart Mill. Bentham morre em 1832, mas sua obra é continuada e reformulada por John Stuart Mill.
Este artigo pretende apresentar a obra Uma introdução aos Princípios da moral e da Legislação de Jeremy Bentham, além de esboçar analises de alguns comentaristas, os quais são Robert E. Goodin “La utilidad y el bien” da obra de Singer “Compêndio de ética” e James Rachels “Os elementos da filosofia da moral”.

O princípio da utilidade1



Tudo que o homem se propõe a fazer esta sujeito a dois sentimentos que definem suas escolhas, a dor e o prazer. E o princípio da utilidade2 admitindo esse poder que há essas influências na vida do homem a ponto de definir o que será feito, os coloca como fundamentação em sua teoria, visando a felicidade através da razão e da lei.
Utilidade3 esta definida como algo que proporcionará o bem da comunidade ou do indivíduo, o que lhe será útil, mas não podemos pensar em comunidade sem entender que o interesse dessa comunidade, não passa de interesses individuais unidos em um corpo fictício, então percebemos que o interesse da comunidade, o que é útil para ela, é aquilo que é útil para o indivíduo, e este indivíduo é dominado pelo instinto de aumentar seu prazer e diminuir sua dor4. Logo o indivíduo na comunidade procura aquilo que lhe traz mais felicidade, individual e por conseqüência, também coletiva5, que será o bem selecionado pela maioria composta por esta comunidade.
Tudo o que é útil conforme o princípio de utilidade pode se dizer que deve ser praticado, que é reto praticar e que não é errado pratica-lá. Este princípio é contestado apenas por pessoas desenformadas, mas que provavelmente já usou desse princípio ao longo da sua vida sem o sabe-lo, diz Bentham.


PRINCÍPIOS CONTRÁRIOS AO DA UTILIDADE


Aplicações errôneas do princípio da utilidade:
O ascetismo6, que aprova a minimização da felicidade, pois acredita que o prazer a longo prazo poderá trazer mais dor.
Princípio da antipatia e da simpatia, constituídos na desaprovação de ações com razões suficientes em si, além de pecar pela severidade, injustiças, e motivos de punições não merecidas.
Princípio teológico, não se destingue muito dos outros princípios acima (ou já comentados).
Portanto, o princípio que é verdadeiramente correto é aquele que tem total aprovação em todos os casos que serão moralmente julgados, evitando-se de fazer o mal e procurando a “máxima felicidade7 para o maior número de pessoas”8. Também é exposto pelo comentador James Rachels que essa moralidade além de ter o objetivo de alcançar a maior felicidade possível neste mundo ainda, deixa claro que esta não é aquela moralidade com intuito de agradar a Deus, é somente busca de felicidade.9
As quatro sanções ou fontes da dor e do prazer
Objetivo do legislador é a satisfação dos prazeres e a segurança da comunidade e os indivíduos, integrantes desta comunidade, devem agir em conformidade desses objetivos.
E analisando neste capitulo o prazer e a dor como causalidade eficiente ou de meio, não mais somente como fim, e as sanções que derivam a dor e o prazer designadas com fontes físicas, política, moral e religiosa que estão definidas abaixo.
A física é aquilo que acontece naturalmente sem intervenção do homem, tanto no prazer ou na dor.
Já na política é onde esses dois senhores esperam por algo onde há ação de alguém ou da comunidade ou ainda da vontade do soberano.
Para derivarem da sanção moral a dor e o prazer dependem de uma regra já estabelecida.
E se depender de algo superior é a sanção religiosa.
Os três primeiros podemos experinciá-los na vida presente e o ultimo na vida presente e na futura.


MÉTODO PARA MEDIR UMA SOMA DE PRAZER OU DE DOR


O legislador tendo como objetivo aumentar o prazer e diminuir a dor deve ter em mente o que é possível fazer tendo conhecimento do valor de cada um que é dividida em quatro circunstância que definirá o ato a ser considerado através também, de mais duas circunstâncias.
As quatro primeiras são: intensidade, duração, certeza ou incerteza, proximidade no tempo ou a sua longinqüidade.
As outras duas são: fecundidade e pureza.
Além de ser considerada também a extensão.(número de pessoas favorecidas)
Com todas essas circunstâncias aplicamos a soma de todos os prazeres fazer a contabilização se o ato é bom ou ruim, além de considerar a quantidade de pessoas para que esse ato é bom.
“Analogamente pode-se aplicar o mesmo processo ao prazer e à dor, qualquer que seja a forma sob a qual apareçam e qualquer que seja a denominação com a qual se identifiquem. O processo pode ser aplicado ao prazer, quer este se denomine um bem (o qual constitui propriamente a causa ou o instrumento do prazer), quer se chame proveito ( o qual constitui um prazer distante, ou a causa ou instrumento de um prazer distante, ou a causa ou instrumento de um prazer distante), ou conveniência, ou vantagem, beneficio, recompensa, felicidade e assim por diante. Pode o método também ser aplicado à dor, quer esta se denomine um mal ( o qual eqüivale ao oposto do bem), quer se chame prejuízo, ou inconveniência, ou desvantagem, ou perda, ou infelicidade, e assim por diante.”10
Bentham diz que antes de aplicar o método é dever seguir julgamentos morais ação legislativa ou judicial, mas que o processo ajuda a se aproximar da ação correta.11


AS AÇÕES HUMANAS EM GERAL


A partir de que o homem deva obedecer certas leis, ele também está promovendo um ato de felicidade para si pois não sofrerá punições, logo dores. E é através da lei penal que os governantes agem para manter a ordem e a felicidade da sociedade. E para julgar o ato é necessário a soma das diferenças entre conseqüências de um ato12 bom ou mau, e essas conseqüências são um evento que do ponto de vista causalidade é dividida de quatro modos:
“(1) por via de causalidade produtora;
(2) por via de derivação;
(3) por via de conexão colateral;
(4) por via de influência conjunta”.13
Mas não é somente julgado as conseqüências, mas também o agir racional e o agir irracional que demonstra as intenções14 do ato, logo as conseqüências que derivam ou que poderiam derivar dele. “Essa soma de conseqüências boas e más para decidir o que deve ser feito, a atitude a ser tomada, é um dos equívocos da teoria Utilitarista, pois se torna incompatível com o ideal de justiça, pois pode ser medido que um ato trará conseqüências boas para a maioria das pessoas, mas pode estar promovendo a infelicidade de uma pessoa, o que a justiça não pode aceitar, pois defende a individualidade e o tratamento conforme a verdade desse indivíduo.”15
As circunstâncias que acompanham as intenções podem ser definidas por três estados: consciência16, inconsciência17 e falsa consciência18.
Há ainda dois fatores que dependem da tendência do ato que são: “o motivo particular e a disposição geral que o ato denota”19.
Já as circunstâncias que acompanha os atos20 devem ser consideradas antes de determinar as conseqüências mas sem ter a certeza do ato no seu conjunto21. Todo o acontecimento tem circunstâncias mas não necessariamente todo evento estas circunstâncias relacionadas .


A INTENCIONALIDADE


A intencionalidade que divide-se em dois fatores: “o próprio ato e as conseqüências do ato”22 que podem demonstrar se a ação é boa ou má, além de vir à afetar o ato, mas para classificar a intenção de boa ou má devesse levar em conta as circunstâncias do ato. Afetando qualquer dos fatores, podemos considerar intencional mas se esses dois fatores não fizerem partes das intenções do indivíduo podemos considerar um ato não intencional.
A consciência
Cabe a nesta seção observarmos o quanto a intenção é analisada de forma abrangente em relação ao ato.
Um ato ruim com intenção e resultado considerado bom se diz que o motivo estabelecido foi bom, e motivo mau quando o ato se originou de má intenção. Mas Bentham diz que sempre temos a intenção boa23 em qualquer motivo e conseqüência, mas ainda a intenção pode ser má também em qualquer dos resultados de conseqüências acompanhado dos motivos.
Os motivos
§ Significações diversas da palavra motivo
Motivo definido aqui como faculdade de um ser que pensa e destingue as ações. Mas os atos da faculdade intelectual não influenciam nos atos da vontade, só serve como agentes especulativo, por não influenciar externamente, não produz nem prazer e nem dor.
O único motivo que pode influenciar o indivíduo a agir ou não é a vontade, podendo ser denominados como motivos práticos.
Há dois fatos que desencadeiam tipos de motivos diferentes:
percepção interna
evento externo
O motivo é o que leva o indivíduo a agir, tentando livrar-se da dor ou perseguindo o prazer. O in esse é o motivo denominado assim para definir aquele motivo interno em perspectiva, que pode ser influenciado pelo motivo da faculdade intelectual.
§ Inexistência da motivos constantemente bons ou constantemente maus
O interesse da motivação é o que denomina se ele é boa ou má, porque é a partir de um interesse que se pode denominar o motivo sem uma situação específica. Alguns motivos que podem ser denominados como bons ou maus.
Motivos:
- Nos prazeres da riqueza o motivo é interesse pecuniário;
Da amizade é desejo de captar afeição;
Nos prazeres derivantes da sanção moral o motivo é reputação;
Do poder pode se dividir entre criminoso e abominável ou licito e até credor de elogios;
Já as dores e os prazeres da sanção religiosa o motivo é a própria sanção religiosa;
Da simpatia é a boa vontade;
Da malevolência é a má vontade;
Nas dores o motivo são de autopreservação, nas dores do esforço o motivo é o amor ao sossego.
Por isso Bentham diz que não há motivo que seja mau por si mesmo, como não há motivo exclusivamente bom, podendo ainda serem indiferentes.
Há motivos que considerados independentes dos seus efeitos, não são maus quando dá-se o nome de um termo considerado mau.
Há como elencar, segundo bentham, os motivos bons, maus e indiferentes.
“ No elenco dos motivos bons poderiam ser colocados os termos:
boa vontade ou benevolência;
amor à reputação;
desejo da amizade;
religião.
No catálogo dos motivos maus seria colocado o seguinte:
desgosto ou descontentamento.
No elenco dos motivos neutros ou indiferentes colocar-se-iam os seguintes:
desejo físico;
interesse pecuniário;
amor ao poder;
autopreservaçao, incluindo o temor das dores dos sentimentos, o amor ao sossego e o amor à vida.”24
E a única maneira talvez de compreender se o motivo é bom ou mau é em relação ao efeito que causa para cada indivíduo, a partir da intenção.
Mas os motivos citados acima poderiam ser distribuídos de uma forma em que os interesses do indivíduo pudessem se harmonizar conforme o interesse da comunidade, o que seria disposto da forma abaixo:
“sob este prisma, os motivos podem ser divididos em sociais , dissociais e pessoais (self-regarding).
Entre os motivos sociais classificar-se-iam os seguintes:
boa vontade ou benevolência;
amor à reputação;25
desejo de amizade;26
religião.27
Entre os motivos dissociais classificar-se-iam o seguinte:
desgosto ou descontentamento.
Entre os motivos pessoais (self-regarding) classificar-se-iam os seguintes:
desejo físico;
interesse pecuniário;
amor ao poder;
autopreservaçao, incluindo o temor das dores dos sentidos, amor ao sossego e o amor à vida.”28
§ Ordem de preeminência entre os motivos
A ordem em questão é a que segue: benevolência, amor a reputação, desejo da amizade e ditames da religião, é nesta ordem que coincidem o princípio da utilidade. Mesmo que em relação a benevolência esta seja parcial onde seja exposto em um grupo a inteligência de apenas uma pessoa, mas esta não se contradiz por que a benevolência só pode estar contraditória o público e o privado apenas acidentalmente. Já no amor a reputação a única situação seria o princípio do ascetismo ou o princípio da simpatia e da antipatia. No desejo da amizade ele coincide com o da benevolência mais pessoais. E no princípio da religião, além das pessoas se voltarem para sua própria religião, só há perspectivas conforme os interesses da própria pessoa, mas o interesse do princípio da religião se aproximam muito da utilidade.
“Porque os ditames da sanção moral voa coincidindo sempre mais com os da utilidade, e os da religião coincidem com os da sanção moral são influências dos por eles”29
§ Conflito entre motivos
Há dois motivos: impulsionante ou demovente. O primeiro é aquele que promove a ação, e o segundo é aquele que inibe a ação. E necessário estar a par desses motivos para que haja um julgamento correto das questões que são dispostas.
As disposições humanas em geral
A disposição é a maneira pela qual se pode julgar a atitude boa ou má através da confissão e admissão de um ou outro motivo que leva o indivíduo a praticar tal ato. E essa disposição pode ser dividida de duas maneiras:
“(1) ou sobre a felicidade própria
(2) ou sobre a felicidade de outros.”
A primeira compete mais ao moralista reformá-la quando não boa, apenas quando afeta aos outros é levada a julgamento pelas leis penais. Ter uma disposição má é praticar atos de tendência perniciosos.
“ Aqui vemos a importância das circunstâncias da intencionalidade, da consciência da inconsciência e da falsa suposição”.30
As intenções constituem-se de suas causas e as causas os motivos, esse o qual pode ser dividido em dois: sedutor ou corruptor, denominação para distinção, agindo como motivo demovente pode ser denominado preservador que também possui a divisão de permanentes e ocasionais, entendendo-se que o primeiro tende a dissuadir uma pessoa de qualquer ato prejudicial e o segundo pode às vezes agir ou não nesta direção.
“ Ao que parece, podem eles ser reduzidos a dois itens, isto é:
amor ao sossego;...
a autopreservaçao. Enquanto se opõe aos perigos aos quais uma pessoa pode estar exposta na prossecução da tentativa.
Esses perigos podem ser:
ou de natureza puramente física;
ou perigos resultantes da ação moral;... Por isso, os perigos que podem ameaçar um ofensor ou criminoso deste ponto de vista dependem, quaisquer que possam ser, do evento da sua detecção, podendo, por conseguinte, ser todos compreendidos sob o termo perigo de detecção.
Os perigos que dependem da detecção podem, por sua vez, subdividir-se em dois tipos:
aquele que pode resultar de qualquer oposição que possa ser feita ao ato imediatamente, ou seja, no próprio momento em que o ato tem lugar;
aquele que diz respeito à punição legal, ou a outro sofrimento, que pode sobreviver a distancia ao final do ato.”31
Os motivos preservadores, juntamente com os motivos sedutores podem levar a força da tentação, pois a tentação do crime pode ser forte ao ponto de levar o pretenso criminoso a ver o ato com o redentor do incômodo e do perigo.
É estabelecido quatro normas de avaliação de um ato mau através da força da tentação.
“Primeira norma: uma vez conhecida a força da tentação, a maldade da disposição manifestada pelo ato está em função da aparente perniciosidade do ato.
Segunda norma: conhecendo-se a aparente perniciosidade de um ato, a disposição de uma pessoa é tanto mais depravada, quanto mais fraca for a tentação à qual sucumbiu
Terceira norma: uma vez conhecida a perniciosidade do ato, a evidencia que a mesma proporciona em prova da pravidade da disposição de uma pessoa é tanto menos convincente, quanto mais forte for a tentação à qual a pessoa sucumbiu.
Quarta norma: quando o motivo for do tipo dissocial, uma vez conhecidas a aparente perniciosodade do ato e a força da tentação, a pravidade da disposição é proporcional ao grau de deliberação que o acompanha.”32
Casos em que não cabe punir
O objetivo das leis é manter a felicidade geral, então a punição que é um ato que traz infelicidade só pode ser aceita para evitar uma infelicidade maior, não se pode aplicar punição, segundo Bentham, nos casos abaixo:
“(1) Quando não houver motivo”;...
(2) Quando a punição só pode ser ineficaz;...
(3)Quando a punição for inútil ou excessiva dispendiosa;...
(4)Quando a punição for supérflua... “33
A proporcionalidade entre as punições e os crimes
Para evitar os prejuízos de uma punição segue quatro objetivos subordinados ao legislador.
“(1)... agir de forma, que não haja possibilidade de se cometer nenhuma ofensa ou crime.
(2)... a escolher sempre o crime menos prejudicial, dos dois que servem à finalidade almejada pelo criminoso.
(3)...induzi-lo a acusar aquele mínimo de prejuízo que é indispensável para alcançar o beneficio que espera do seu crime.
(4) O último objetivo, qualquer que seja o prejuízo que o legislador se proponha evitar, será evitá-lo da maneira menos dispendiosa que seja possível.”34
E esses objetivos estabelecem as normas de proporção entre as punições.
“Primeira norma:... o valor ou gravidade da punição não deve em nenhum caos inferior ao que for suficiente para superar o valor do beneficio da ofensa ou crime .
Segunda norma:...quanto maior o prejuízo derivante do crime, tanto maior será o preço que pode valer a pena pagar no caminho da punição.
Terceira norma:...Quando houver dois crimes em concorrência, a punição estabelecida o crime maior deve ser suficiente para induzir uma pessoa a preferir o menor.
Quarta norma:...A punição deve ser regulada de tal forma para cada crime particular, que para cada nova parte ou etapa do prejuízo possa haver um motivo que dissuada o criminoso de produzi-la.
Quinta norma:...A punição não deve em caso algum ser maior do que for necessário para que esta seja conforme às aqui indicadas.
Sexta norma:...Para que a quantidade de punição realmente infligida a cada criminoso possa corresponder à quantidade tencionada para criminosos semelhantes em geral, é necessário sempre levar em consideração as varias circunstâncias que influenciam a sensibilidade de cada um.”35
As quatros primeiras normas demarcam os limites da diminuição do castigo, a quinta o aumento do castigo. As cinco primeiras guiam o legislador e a sexta a ele e ao juiz.
Os limites do setor penal da jurisprudência
§ Os limites entre a ética privada e a arte da legislação
Ética é definida como a arte de dirigir as ações do homem ( as suas e as dos outros indivíduos).
Quando o próprio indivíduo dirige suas ações, denomina-se a arte do autogoverno ou seja, ética privada. Em relação aos outros agentes, que são dividido em duas espécies: seres humanos e animais (Os animais para os utilitaristas não são tratados como a ética cristã promove, pois não importa se possuem alma ou se soa racionais mais sim se são capazes de sentir dor, sofrimento, pois tanto para Bentham quanto para Mill, os humanos e os não-humanos igualmente tem direito ao cuidado moral, não que haja diferenças entre as espécies, mas que por esse fato não seja promovido a infelicidade desses seres diferentes)36 .
A seguir veremos algumas denominações que serão importantes para o entendimento do encerramento da desta obra de Bentham.
Legislação: arte de governar.
Administração: arte de decidir e tomar providências práticas.
Educação pública: arte exercida por aqueles cujo ofício é supervisionar o comportamento da coletividade inteira.
A ética geral, em relação a felicidade dependerá primeiro do interesse pessoal (obrigação em relação a si mesmo) e depois dos outros (obrigação em relação aos outros, ao próximo).
A ética legislativa é aquela que tem por intuito a obrigação em relação ao próximo.
A felicidade do próximo pode ser protegida:
“(1) de uma forma negativa, abstendo-se de diminui-la (probidade);
(2) de uma forma positiva, procurando aumentá-la (benquerença).”37
Qual o interesse do legislador em promover a proteção dos interesses do próximo? O único interesse, diz Bentham, são os seus próprios interesses, portanto a ética privada e a arte da legislação não andam, separadas. Deseja o mesmo fim: a felicidade38.
Então qual seria diferença entre a ética privada e a do legislador? Elas não são perfeitas e inteiramente as mesmas em atos. Todo ato benéfico deve ser praticado pelo indivíduo em função do coletivo, sem a imposição do legislador. Se a pessoa age errado em relação a sua felicidade, só pode ser por inadvertência ou falsa suposição à respeito da circunstâncias.
O legislador o máximo que pode conseguir é deixar de maneira eficaz a ética privada, orientando os indivíduos sob a influência da sanção moral, ele (o legislador) deve agir de forma que não ultrapasse os limites levando os problemas de ordem pública para o individual. O legislador deve atuar mais seguramente e necessita mais de sua presença nas normas de probidade (que se opõe as ofensas contra a propriedade), pois aqui será competência da legislação definir ou expor o que é realmente da cada um. O mesmo acontece ao estado que sem legislação, não teria como saber o que é seu. Então é por isso que se faz a necessidade do legislador, para mostrar primeiro o que é legislação para depois a ética privada.
Já nas normas da benquerença fica extensivamente em grande parte sobre a regência da ética privada, pois é visto o motivo que levou o indivíduo a praticar tal ação “...em uma palavra, a qualidade benéfica do ato depende do fato de provir de motivos que possibilitam a conduta da pessoa como livre e voluntária,...”39 .


Conclusão


O que Bentham tenta esclarecer nesta obra é como pode ser mantida a felicidade de um indivíduo sem que prejudique o seu próximo. E é por isso que ele coloca como necessidade a ética privada e arte da legislação, pois a primeira vê a felicidade do indivíduo e a segunda tenta harmonizar esta felicidade, com o bem da comunidade que é aplicado pelo legislador.
Mas o que os comentadores apresentam é que há uma incompatibilidade entre o bem do indivíduo e o bem da comunidade há que esse indivíduo pertence. Pois para haver a felicidade da sociedade é preciso que todos estejam num mesmo patamar financeiro, intelectual, etc. quando há qualquer diferença, em desejos, vontades, alguém não terá seus prazeres satisfeitos, logo o utilitarismo não pode abranger a felicidade total entre indivíduo e sociedade.

BIBLIOGRAFIABentham, Jeremy. Uma introdução aos Princípios da moral e da Legislação/Os pensadores. 3ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
Luft, Celso Pedro.Prof. Barbosa, Francisco de Assis e Pereira, Manuel da cunha; Mini Dicionário Luft; SP; Editora Scipione Ltda; 1991.
Rachels, James. Os elementos da filosofia da moral. Barueri, SP: Manole, 2006
Singer, Peter. Compendio de ética. Madrid: Alianza editorial, 2000.


ABREVIATURAS USADASPML: Uma introdução aos Princípios da moral e da Legislação


1 “Entre ações alternativas ou políticas sociais, devesse escolher aquelas que possuem as melhores consequencias..”. Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels
2 É o que trata a obra que está sendo discutida nesse artigo: “UMA INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MORAL E DA LEGISLAÇÃO” de Jeremy Bentham, que é definido como “o princípio que aprova e desaprova qualquer ação, segundo a tendência que tem a aumentar ou diminuir a felicidade da pessoa cujo interesse está em jogo, ou o que é a mesma coisa em outros termos, segundo a tendência a promover ou a comprometer a referida felicidade. Digo qualquer ação, com o que tenciono dizer que isto vale não somente para qualquer ação de um indivíduo particular, mas também de qualquer ato ou medida de governo.”
3 Utilidade: utilitarismo, teoria do bem, julga pelas preferências e interesses gerais. E para ser um bem deve ser bom para alguém. “Obra Peter Singer. Compêndio de ética “
4 Hedonista : busca de satisfação, fomentando o prazer e evitando a dor. “Obra Peter Singer. Compêndio de ética “
5 O problema exposto no utilitarismo em relação a felicidade de todos, sendo imparcial, é que colocado por James Rachels como falha, pois devesse abdicar de nossa própria felicidade para promover a felicidade do próximo, e se não estamos felizes então o utilitarismo não alcança a imparcialidade total, e não leva a felicidade para a comunidade. O exemplo dado por James Rachels é de abandonar a vontade de ir ao cinema, por exemplo, e dar esse dinheiro as crianças que tem fome, estarei promovendo a felicidade dessas crianças, mas abandoando o meu próprio desejo (prazer) de ir ao cinema. Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels.
6 Doutrina que se baseia no desprezo do corpo e das sensações corporais e que, por meio da ascese, tente a assegurar o triunfo do espirito sobre os instintos e as paixões. (conforme dicionário Luft)
7 “Existência livre de dor e rica tanto quanto possível em contentamento” Stuart Mill. Citação da Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels.
8 HISTORIA DA FILOSOFIA , volume III, página 313.
9 Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels
10 UMA INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MORAL E DA LEGISLAÇÃO. Pensadores, pag.18
11 O item VIII desse capítulo serve como ilustração sobre as circunstâncias tratadas no mesmo.
12 Materiais (consistem no prazer e na dor) ou imateriais ( sem relação com as conseqüências).
13 Conforme PML. Página 21.
14 (1) o estado da vontade ou da intenção, com respeito ao próprio ato; (2) o estado da inteligência, ou das faculdades de percepção, em relação às circunstâncias que acompanham, ou parecem acompanhar a intenção. Conforme item V do livro PML. Página 19
15 Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels
16 Quando a parte em questão acredita existirem precisamente aquelas circunstâncias que de fato existem, e não outras. Conforme PML. Página 20
17 Quando a pessoa deixa de perceber a existência de certas circunstâncias que na realidade existem. Conforme PML. Página 20
18 Quando alguém acredita ou imagina existirem certas circunstâncias que na verdade não são reais. Conforme PML. Página 20
19 Conforme PML. Página 20
20 circunstâncias de um ato: qualquer coisa pode constituir uma circunstancia de qualquer outra. Conforme PML. Página 20
21 Nunca poderemos saber o se o ato é benéfico, ou indiferente, ou prejudicial. Porque que dependendo das circunstâncias pode ser um ato benéfico ou totalmente o contrário por exemplo matar uma pessoa. Conforme PML. Página 20
22 Conforme PML. Página 23
23 Nesta parte cito a frase “em conseqüência, pode-se dizer com inteira propriedade de termos que a intenção é boa, qualquer que tenha sido o motivo” Conforme PML. Página 26. Onde acredito que sempre a intenção é boa e não como vem logo abaixo no mesmo texto e página dizendo que a intenção pode ser má, pois acredito que a intenção pode ser boa individualmente, mesmo que seja a de fazer o mau a outra pessoa, pode ter sido uma interpretação equivocada de minha parte em relação a colocação de Bentham e seu contexto.
24 Conforme PML. Página 41
25 Pode ser englobado sob o titulo de semi-social
26 Pode ser englobado sob o titulo de semi-social
27 Pode ser englobado sob o titulo de semi-social
28 Conforme PML. Página 42
29 Conforme PML. Página 46
30 Conforme PML. Página 51
31 Conforme PML. Páginas 54 a 55
32 Conforme PML. Páginas 56 a 57
33 Conforme PML. Página 59
34 Conforme PML. Página 60
35 Conforme PML. Páginas 60, 61 e 62
36 Obra “Os elementos da Filosofia da moral/ James Rachels
37 Conforme PML. Página 64
38 Esta se parece com a teoria aristotélica onde o é requerida a felicidade como fim. “Obra Peter Singer. Compendio de ética “
39 Conforme PML. Página 68



IMAGEM:http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham

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