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terça-feira, 20 de novembro de 2007

A VOLTA DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO BASEADO NO TEXTO DE ANTONIO SEVERINO

ÉRICA MACLEO

INTRODUÇÃO

O que se pretende nos dias de hoje, é analisar uma nova possibilidade, que à muito tempo nos foi tirada, a filosofia para o ensino fundamental e médio.
Algumas escolas, à poucos anos retomaram a filosofia na sua base curricular, mas não tinham o apoio que necessitavam para manter esse conteúdo da forma em que ele deve ser apresentado.
Mas agora com a volta da obrigatoriedade no ensino médio, a questão é outra: a filosofia é só mais um complemento na carga horária, ou ela pode fazer diferença para os educandos?
Veremos aqui a importância deste conteúdo, e se afinal ele precisa deste destaque de pertencer a carga horária dos currículos escolares.

O autor quer analisar a filosofia na educação formal, questionando a sua importância e tomando partido de que a filosofia é relevante ao currículo de crianças e adolescentes, por apresentar uma base concreta para as sociedades que esses jovens vivem.
A filosofia, diz o autor, é o que pode fazer com que os jovens conheçam e pensem sobre o que acontece a sua volta, porque é ela através da educação que nos faz perceber o movimento contextual do dia-a-dia e nos fazendo ampliar e articular nossas práticas individuais com visão na coletividade, pois é através do conhecimento que seremos capaz de ampliar atos que gerarão mudanças. Esse pensamento pode ser comparado ao “nascimento das idéias” para os alunos, assim como estabelecia Sócrates:
“O diálogo socrático tinha dois momentos.[...]. O primeiro corresponderia às dores do parto, momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorâncias para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade – chegar a ela constituía a a Segunda parte do processo. Aí , ocorria o “parto das idéias” [expresso pela palavra maiêutica]. Momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia “polindo” as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações sucessivas”.1
O que é necessário passar aos alunos é que não se deve ver a escola como um simples instituto de habilitação profissional, mas também é necessário, um ambiente onde se terá formação2.
“O que vem a ser essa formação? É o amadurecimento, o desenvolvimento dos estudantes como pessoas humanas. Nós nos formamos quando nos damos conta do sentido de nossa existência , quando tornamos consciência do que viemos fazer no planeta, do porque vivemos”.3
Mas não é apenas da formação escolar que o autor destaca, mas também na educação que recebemos desde o nascimento, todo o convívio que temos com o ambiente em que vivemos e que complementam nosso caráter.
E o que a escola tem como objetivo é adaptar o aluno com sua realidade com a realidade do mundo, apresentando e desenvolvendo conceitos como “ sobre sua inteligência, consciência ética, estética e social”4.
“É toda essa esfera do exercício da dimensão subjetiva da pessoa que nos tornam efetivamente humanos”5.
É a partir desta subjetividade que passamos a ver e perceber um sentido para nossos atos como seres humanos, começamos a reconhecer nossos valores, tanto como pessoa individual como pessoa coletiva que faz parte de uma sociedade. O autor ainda se mostra preocupado com os contra-valores, que são valores
socioculturais que podem levar a alienação do ser humano.
Mas no que a filosofia pode ajudar ou mudar no comportamento? É a filosofia que pode apresentar um educação formativa, pois apenas o conhecimento técnico não é capaz de suprir a necessidade de que o ser humano tem de se sociabilizar, de avaliar nossos atos e de estabelecer a quais valores vamos recorrer.
“É preciso recorrer à modalidade do conhecimento filosófico que é onde desenvolvemos nossa visão mais abrangente do sentido das coisas e da vida, que nos permite buscar, com a devida distancia critica, a significação de nossa existência, e o lugar de cada coisa nela. É o que comumente expressamos ao nos referir ao “pensar”, ao refletir, ao argumentar, ao demonstrar. Usando dos recursos naturais, comuns, da nossa subjetividade”.6
Esses valores não podem ser ensinados em aula de religião, pois abafaria o processo de reflexão e de escolha – LIBERDADE. E nem imposta apenas por partidos políticos. O caminho é inverso, é a partir da filosofia que vai se estabelecer uma reflexão religiosa, política e etc.
É por isso que há necessidade da filosofia desde no inicio da formação educacional, para que haja além de um entendimento, haja também uma compreensão do que lhe está sendo ensinado, uma compreensão do mundo sem ferir a autonomia do educando.
CONCLUSÃO

O que se pode concluir é que a filosofia não é apenas um complemento na carga horária das escolas, mas sim aquilo que irá mudar o pensamento e adicionar conhecimento ao aluno que tiver o privilégio de ter uma boa aula de filosofia.
Será um encaminhamento a busca do saber, além do saber técnico. O aluno verá que pode concluir diferentemente daquilo que lhe apresentaram e que tudo pode ter uma segunda possibilidade, mesmo não deixando de lado aquilo que ele aprendeu nos primórdios da vida.
A filosofia é, e demonstrará novos caminhos para a sociedade que será formada por esses alunos de hoje, e dos alunos futuros.
BIBLIOGRAFIA
SEVERINO, Antônio Joaquim. A filosofia na formação do jovem e a ressignificação de sua experiência existencial.
Luft, Celso Pedro.Prof. Barbosa, Francisco de Assis e Pereira, Manuel da cunha; Mini Dicionário Luft; SP; Editora Scipione Ltda; 1991
FERRARI, Marcio. Sócrates: o mestre em busca da verdade. Revista Nova escola: Os Pensadores vol 2, p.11, ago. 2006.
1 GRANDES PENSADORES Vol. 2 , Revista Nova Escola. Agosto de 2006. Pág. 11
2 S.F. 1. Ação, efeito ou modo de formar.2. constituição de um ser ou de uma sociedade.3. [...].4.maneira pela qual se constitui uma personalidade, um caráter, uma mentalidade; educação.[...].MINI DICIONÁRIO LUFT. pág.303.
3 Texto : “A filosofia na formação do jovem e a ressignificação de sua experiência existencial”. Antônio Joaquim Severino. Pág 185
4 Texto : “A filosofia na formação do jovem e a ressignificação de sua experiência existencial”. Antônio Joaquim Severino. Pág 185
5 Texto : “A filosofia na formação do jovem e a ressignificação de sua experiência existencial”. Antônio Joaquim Severino. Pág 185
6 Texto : “A filosofia na formação do jovem e a ressignificaçao de sua experiência existencial”. Antônio Joaquim Severino. Pág 187

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