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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Possibilidade de relação entre: Teoria, Fato e Verdade.ÉRICA MACHADO LEOPOLDO

TWITTER: @ericamacleo










Se não fosse necessária a teoria, então não seria necessário aprendermos a nos expressar, seria necessário apenas enxergar e observar tudo o que esta a volta, e aprenderíamos tudo sozinhos, o que mostra que o que nos é ensinado faz muita diferença em nossas vidas. Mas os fatos nos ensinam algo? E a verdade existe? Se existe ela tem relação com os fatos ou com as teorias ou quem sabe ainda com os dois. O que é tratado neste artigo é: qual a relação entre fato, teoria e verdade, qual a importância de cada um. Mas ainda questiona se essas perguntas podem realmente serem respondidas. Para tentar encontrar uma solução, foi usado como base, teorias de filósofos de períodos diferentes, além de comentadores atuais, o que cada um deles – filósofos e comentadores – pode concluir a respeito de suas pesquisas filosóficas. Veremos argumentações que nos farão refletir e talvez encontrar caminhos diferentes dos que nos foram propostos.


Palavras-chave: teoria, fato, observação e verdade.






Possibilidade de relação entre: Teoria, Fato e Verdade
A teoria do conhecimento ou epistemologia (do
grego "episteme" - ciência, conhecimento; "logos" – discurso) que procura tratar na filosofia sobre o “conhecimento”, “crenças” para que se possível, possa encaminhar esses argumentos a resposta e essa resposta seja a “verdade” ou as “verdades”, nos encaminha a discussões sobre o que se pode ou não conhecer e qual é a teoria que se usa para chegar a esse conhecer, além de questionar o que se pode ou não acreditar, o que nos parece fato para aceita-lo, ou ainda tomar como verdade? Mas a verdade existe?
Pode haver uma a relação entre fato, teoria e verdade?
Neste artigo veremos algumas teorias sobre essas relações, e o que cada filósofo interpretou, além do que cada um deles questionou em relação a argumentação do outro.
Antes de tentar responder, devemos pensar, refletir e com base segura responder se à uma relação entre fato, teoria e verdade e se estas três denominações pode servir ao real ou só podem ficar na proposição.
No senso comum achamos as definições abaixo:
“Fato: acontecimento; evento.2. o que é real; o que tem sua veracidade reconhecida.3. elemento da locução adverbial de fato; realmente, na verdade [...]”
1
“Teorias: princípios gerais de uma ciência ou arte.2. princípios, plausível ou cientificamente aceitável, proposto para explicar fatos ou eventos observados.[...]”
2
“Verdade: conformidade com a realidade.2. veracidade. 3. Ciosa verdadeira. 4. Exatidão. 5. Sinceridade. 6. Representação de realidade da natureza.”
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Historicamente encontramos diversas teorias sobre o que podemos chamar de verdade, teoria e fato, até entrelaçamentos entre eles adotados por alguns filósofos, sendo que discutiremos as mais destacadas hipóteses adotadas ao longo dos tempos.
Francis Bacon (1561-1626) assume uma posição da ciência baseada na observação e indução, isto é, preocupada com o método. Nesta visão baconiana não há relação entre fato e teoria, já que a teoria só serve para demonstrar o que foi observado dos fatos que se sucederam, com isso, Bacon da destaque absoluto ao observacionismo como forma de adquirir o conhecimento. Mais adiante veremos que há um filósofo chamado Augusto Comte (1798-1857) que rompe com esse observacionalismo de Bacon.
Bacon em relação a verdade, acreditava que a mesma pode ser descoberta através de duas vias de investigação:
“[...]Uma, que consiste no saltar-se das sensações e das coisas particulares aos axiomas mais gerais e, seguir, descobrirem-se os axiomas intermediários a partir desses princípios e de sua inamovível verdade.[...]. A outra, que recolhe os axiomas dos dados dos sentidos e particulares, ascendendo contínua e gradualmente até alcançar, em último lugar, os princípios de máxima generalidade. Este é o verdadeiro caminho, porém ainda não instaurado.”
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Ainda a modernidade, Descartes (1596-1650) acreditava que a verdade poderia ser conhecida através do que nos parece menos evidente e ele crê que algumas verdades podem ser conhecidas, ele não vê como certo aquilo que é adequado a idéia e o que está exterior a ele, porque o conhecimento para Descartes vai além de adequações, mas através daquilo que geramos em nós mesmo, como o pensamento ordenado, afastando-se de crenças que nos são apresentadas de geração após geração.
Descartes nos apresenta no seu livro “O Discurso do Método”, regras para possibilitar o conhecimento da verdade. São elas: Regra da evidência; Regra da análise; Regra da síntese; Regra da revisão.
Os métodos estabelecidos por Descartes, estabelecem grande influência para filósofos como Hüme (1711-1776) com certa tendência para o ceticismo onde usa do princípio da causalidade (se tenho A e esse A virá A, na próxima vez posso afirmar que A se tornará A ?) e também por Locke (1632-1704) que em seu livro “Ensaio Sobre o Entendimento Humano” nega o que se pode denominar como idéias inatas.
Como já havíamos citado acima, o filósofo Augusto Comte( 1798-1857), também conhecido como pai do positivismo e “sistematizador da sociologia”
6, apresenta uma metodologia onde não coloca o observacionismo como principal método para fundamentar uma tese. Comte, abre caminhos de forma diferencial, onde ele diz que apenas observações não podem alicerçar uma ciência, e que a teoria, é sim o que pode levar a um conhecimento dos fatos. Ele acredita que é preciso um tipo de conhecimento teórico para apreender o que se observa.
Koudela et al. (2002) é necessário o conhecimento de alguma teoria para que seja possível o conhecimento dos fatos.
Comte, não elimina totalmente a atividade observacional, mas acredita que é necessário, a ligação entre teoria e fatos, para que seja o possível entendimento do resultado observado, o que deve ficar claro é que Comte dá um certo destaque a teoria, que por sua vez, vai orientar as observações. Cita KOUDELA. “[...] Em suma, não podemos realizar observações sem uma teoria qualquer assim como não há teoria positiva sem observações.”
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Comte não transpõe totalmente o método de Francis Bacon, ele apenas abre as portas para uma nova abordagem de teorização, de cientificidade, ele muda o pensamento em relação as os fatos como princípio para chegar a um ponto desejado, quem supera o modelo de Bacon, é Karl Popper, o qual falaremos mais adiante.
Podemos dizer que Comte, destacava a teoria frente aos fatos por três funções em que ele acreditava serem essenciais:
“[...] é ela que os identifica, estabelece conexões entre as observações que deles fazemos, e deduz conseqüências delas. Segundo ele, a mera observação não gera ciência, pois os fatos são os componentes indispensáveis, porem meros materiais, cabendo à teoria a sua recodificação. Ele chega a firmar, enfim, que a experiência é o critério do conhecimento, mas não basta fechar-se nela.”
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Para Taylor et al. (2000) essa mudança nos séculos XVII e XVIII faz ligação com à moderna epistemologia representacional. Mas os quatro pensadores que o autor acredita que ofereceram novas concepções do conhecimento foram Hegel, Heidegger, Merleau – Ponty e Wittgenstein por que mesmo com grandes diferenças eles argumentam a partir de condições transcendentais que tem origem em Kant.
É no século XVIII, a teoria da linguagem não se predispõe falar somente do indivíduo mas também da própria linguagem do indivíduo, é deixar um pouco de lado essa teoria que se preocupa em falar somente sobre o objeto e sua definição, mas também procurar estudar a própria linguagem.
Kant (1724-1804) e Heidegger (1889-1976) nos apresentam uma direção certa para cada questão e é isso que faz com que a teoria tenha uma base diferente a cada situação, pois através de nós mesmos podemos definir algo dependendo da maneira que somos receptivos a ela, depende do conhecimento que temos para concluirmos algo. Enquanto Nietzsche (1844-1900) apresenta a relatividade de “regimes de verdade“.
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Heidegger apresenta a verdade, como a “verdade situada”
10, uma verdade que está ligada com a linguagem contingente, que marca o ser conforme a sua história (relativo), mostrando que a verdade pode ser condicional em relação a sua história e a circunstâncias em que se encontra o indivíduo, depende de suas experiências. Husserl apresenta uma forma de pensar diferente de Heidegger se tratando de relativismo que a seguir trataremos.
Não podemos esquecer que verdade para Heidegger é a conformidade entre o que é dito e a coisa de que está se falando. Logo o conhecimento adequa-se a coisa e a coisa adequa-se a idéia que está ligada ao conhecimento. Mas a não-verdade é que leva ao encontro da essência do ente.
“O que antes é realçado na hermenêutica, é que aqui o relativismo histórico transcorre no relativismo lingüistico, e um exige do outro.[...] a verdade é relativa num certo tempo, numa certa época, com o assunto: existem muitas verdade, muitos modos [...] possíveis de dizer e interpretar um certo fato ou evento.”
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Podemos dizer então que através desse conhecimento, o fundamento para nossas teorias depende de uma vivência.
Husserl (1859-1938), como já havíamos dito antes, pensa de forma diferente em relação a verdade quando se trata em defini-la como relativa, o que nos diz o trecho “[...] Husserl avança uma hipótese de relançamento do estilo filosófico cartesiano, sublinhando que no “mundo da vida”, no qual se radica a fenomenologia, o relativismo não tem lugar para existir.”
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Wittgenstein (1889-1951) começa a discutir sobre verdade lógica
13 e verdade de fato14
Rudolf Carnap (1891-1970), foi pioneiro no que se poderia denominar dentro de um movimento filosófico como Empirismo lógico
15, o que afastou do indutivismo Baconiano, preocupando-se com as justificações na teoria científica. Diz Koudela: “A relação entre teoria e observação é aqui entendida como a relação entre proposições cientificas ou hipóteses e proposições protocolares ou basilares.”16
Mas Karl Popper (1902-1992), ousa de afirma que assim como Comte, uma observação só se torna clara se estiver fundamentada pela teoria, pois o conhecimentos se dá através de hipóteses, o que automaticamente rompe com o indutivismo genético (o empirismo clássico) sustentado por Francis Bacon. Diz Koudela, que Popper faz o rompimento definitivo em relação ao contexto de formação das teorias, mas não definitivo em relação ao contexto de justificação.
Toda a esquematização de Popper tem como meta a escolha das melhores teorias, não como uma teoria que se possa defini-la como a teoria que traz a verdade, mas sim a teoria “com maior capacidade explicativa e de maior conteúdo de verdade”
17. E por fim vemos colocado por Popper à possibilidade da separação entre teoria e fatos.
Após observarmos as teorias de alguns filósofos que trataram sobre fato, teoria e verdade, podemos chegar a conclusão de que apesar de vários argumentos uns confirmando o que o outro havia dito, outros argumentos dizendo que dessa forma não poderia ser entendido, vemos que todos tem a preocupação com uma só coisa - a verdade.
Embora alguns filósofos tenham questionado sobre a existência da verdade, percebemos automaticamente que esse tipo de argumentação parece que está entrando em contradição com aquilo que tentam buscar, por que a partir do momento que alguém coloca alguma coisa, define, exprime e quer que essa coisa seja entendida e que os outros a tenham como algo de fato, então talvez ele queira que sua teoria seja uma verdade, por que senão qualquer teoria poderia ser aceita, ela sendo correta ou não, afinal não se estaria buscando nada e não precisaria dizer nada.
Já em relação aos fatos, ele apresenta uma forma de relação com a verdade que se apresenta de uma forma muito interessante. Quando perguntamos o que é verdade? Logo recebemos a resposta: é o que os fatos apresentam. Mas que fatos? Os fatos que se adequam a sociedade e ao que a mesma esta passando, historicamente, culturalmente. Aqui podemos dizer que a verdade é relativa, mas ela não depende dos fatos se ela é relativa.
O que podemos dizer então da teoria de sua importância em relação aos fatos e verdades?
Podemos dizer que a teoria se apresenta com mais grau de importância, pois a verdade precisa ser dita, porque ela foi questionada, e questionar é teorizar. Os fatos seguem pela mesma lógica, por que eles podem estar ali, mas para serem definidos como fatos, é necessário que haja uma teorização dos mesmos, é necessário que “eu” tenha conhecimento sobre o contexto histórico passado e sobre o meu próprio contexto atual e o que me dará suporte para essa ligação de passado e presente, é a teoria. Quando falo de fato, falo de linguagem, quando falo de linguagem falo de teoria. No momento que estou observando, estou teorizando e fazendo ligação com o conhecimento teórico que possuo.
O que se pode concluir, é que não se pode concluir, embora pareça contraditório, mas na filosofia alguns princípios (se não a maioria) não se pode dar como concluído, somente se pode fazer um questionamento para novas teorias.
BlBLIOGRAFIA:
AGOSTINI, D’ Franca. Analíticos e continentais. Ed. Unisinos.2002
ARTIGOS, Descartes. 10 em Tudo. . Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2006.
KOUDELA, Marcelllo Souza Costa Neves; Fatos e teorias: do observacionalismo ao teoriticismo em filosofia da ciência (revista reflexão nº 81/82 p 59-73 jan/dez 2002.
TAYLOR, Charles. Argumentos filosóficos. São Paulo. Ed. Loyola. 2000.
1 (LUFT, 1991, p.290)2 (LUFT, 1991, p.596)3 (LUFT, 1991, p.629)5 “(Bacon, 1973, p.22)”. Citado por KOUDELA, Marcello Souza Costa Neves; Fatos e Teorias: do observacionismo ao teoricismo em filosofia da ciência, p.61.6 Revista Nova Escola. Grandes Pensadores. 2006.Vol.2.p.407 “(Comte, 1929, Vol. IV, p.141)”. Citado por KOUDELA, Marcello Souza Costa Neves; Fatos e Teorias: do observacionismo ao teoricismo em filosofia da ciência, p.63.8 KOUDELA, Marcello Souza Costa Neves; Fatos e Teorias: do observacionismo ao teoricismo em filosofia da ciência, p.63.9 (TAYLOR, 2000,p.30)10 “no sentido de que é verdade de uma situação - colocação”. AGOSTINI AGOSTINI, D’ Franca. Três formas de relativismo.P.239.11 AGOSTINI AGOSTINI, D’ Franca. Três formas de relativismo.P.240.12 AGOSTINI, D’ Franca. Analíticos e continentais. Ed. Unisinos.2002. p24513 “fundas sobre uma estrutura lógica da linguagem, universlamente v’lida, ou sobre o significado das palavras”. AGOSTINI AGOSTINI, D’ Franca. Três formas de relativismo.P.244.14 “experiência impírica”. AGOSTINI AGOSTINI, D’ Franca. Três formas de relativismo.P.245.15 Ainda também conhecido como Neopositivismo16 KOUDELA, Marcello Souza Costa Neves; Fatos e Teorias: do observacionismo ao teoricismo em filosofia da ciência, p.64.17 KOUDELA, Marcello Souza Costa Neves; Fatos e Teorias: do observacionismo ao teoricismo em filosofia da ciência, p.68.

Um comentário:

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