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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

AD HOMINEM-ÉRICA MACLEO





Resumo


Quando pensamos como manifestar nosso interesse, e desejamos que isso também seja o interesse da maioria , pensamos como poderá ser a arte do convencer. Ao divulgar uma opinião, não muda nosso objetivo. Mas quantas vezes somos racionais ao expressar nossos pareceres? E ao observar a opinião do outro, quantas vezes concordamos? E quando não concordamos nossos motivos são racionais? Temos um julgamento claro e lógico ou apelamos para as falácias? O que se pretende destacar neste artigo é uma das falácias mais comuns e mais difícil de se desvencilhar : AD HOMINEM. Qual é sua importância e qual sua ligação com a moral do homem que julga e que é julgado, ou ainda dos opositores.

Palavras-chave: ad hominem, moral



Quando alguém nos traz algum fato, e este fato nos parece coerente, mas ninguém mais tem conhecimento sobre ele, logo analisamos as propriedades desta informação, e ainda quem nos traz esta informação.
Dizer que a argumentação lógica, e ainda, juntamente com todos os fatos é o que faz mudar certas convicções e que isto pode ser aceito por todos é relativo para ser levado em consideração e afirmar que haverá um julgamento imparcial ou ainda um acordo.
No momento que nos é apresentado algo, logo analisamos suas atitudes, analisamos o “homem” antes de sair afirmando e aceitando tal conclusão. Sua moralidade, sua condição é pré-julgada
No texto de Charles Taylor, a um exemplo no qual podemos analisar questões morais e falácias como, por exemplo, o aborto.
Como dizer que o aborto deve ser aceito legalmente, ou ainda, como argumentar que não deve ser aceita sua legalização?
Há dois lados que se contrapõe como quer apresentar Taylor, e um não aceitará a argumentação do outro por conseqüência das falácias.
“A razão é tão impotente diante dessas pessoas como parece ser para arbitrar a disputa acerca do aborto? Haverá uma maneira de mostrar-lhes que estão erradas?”
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Aqueles que são a favor da legalização do aborto dirão que todos os que são contra o aborto nunca passaram por uma situação em que uma criança seria indesejada, como em caso de estrupo, logo não podem relatar e fazer com que os que passaram aceitem. Este argumento é ad hominem ofensivo por que esta atacando todos os que lutam pela não legalização do aborto, sem um argumento real, pois entre essas pessoas que lutam pela não legalização, pode sim haver alguém que tenha passado por essa situação.
Já os que defendem a não legalização podem denominar os que defendem como assassinos, criminosos, mesmo que nunca tenham cometido crimes ou ainda que tem intenções de abrir clínicas para aborto e com isso ganhar dinheiro ad hominem circunstancial o que mostra também desconhecimento dos defensores da não legalização.
O autor também usa exemplos como o do nazismo, o s quais não pretendo analisar nesse momento.
Mas o que quer se demonstrar com estes exemplos é o julgamento feito de ordem inconseqüente, demonstrando raciocínios incorretos que são induzidos principalmente há pessoas baseadas em ideais que não são aceitos por todos, mas que para esses idealizadores , deveriam ser aceitos de formas incontestáveis e universais.
O que podemos observar é que quando há dois lados em que são atingidos drasticamente ou ainda “feridos” na sua argumentação, não haverá diálogo e prevalecerá a falácia a ad hominem por que nenhuma das partes irá escutar a outra.
Para tentar persuadir e conquistar mais adeptos, serão capazes de usar argumentos falaciosos e retóricos.
Essas práticas não tem a intenção de serem morais ou racionais, porque elas tendem a atacam o caráter da pessoa em questão e não o que é propagado pela mesma, que pode ser coerente, e aceito se for analisado por quem seja capaz de admitir que o outro pode estar certo.
“mas esses argumentos são vulneráveis à razão e na verdade, mal se sustentam à luz fria do pensamento claro.”
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Taylor ainda demonstra a falácia no argumento de Mill em seu Utilitarismo:
A incoerência da defesa que faz Mill dos prazeres “superiores” fundado na mera preferencia de facto pelos “únicos juizes competentes” é também testemunha das contradições a que essa teoria confusa de fundamentos confusos dá origem.[...]. não obstante o utilitarismo não vem do nada. Toda a inclinação naturalista da cultura intelectual moderna tende a desacreditar a idéia da avaliação forte.[...]. o utilitarismo foi em parte motivado pela aspiração de construir uma ética compatível com a visão cientifica.
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E através da visão desta falácia naturalista, que muitos Utilitaristas por apresentarem uma argumentação fraca em relação ao que defendem, é que podemos colocá-los também na falácia ad hominem , por que é defendido no princípio da utilidade “a maior porção possível de bem em relação ao mal (ou a menor porção possível de mal em relação ao bem)”
4 com interesse em um fim assim como no argumento transcendental.
O que se pode destacar no argumento ad hominem, é que argumentos e justificações, não são suficientes para causar entre interlocutores, acordos racionais e lógicos já que o ad hominem ataca diretamente ao homem e sua moral
5 e não o que ele fala e argumenta.
Posso até tentar ousar afirmar que, o homem já esta condenado sem manifestar sua opinião. É nossa crença em que tal homem é um mentiroso que fará com que qualquer coisa que esse homem venha dizer, nos faça acreditar que será uma mentira.
Creio que podemos identificar nesta discussão três ordens de motivações que se combinam para nos condenar à cegueira. Em primeiro lugar a atitude naturalista, com sua hostilidade à própria noção de avaliação forte tende a tornas os argumentos ad hominem
6 irrelevantes para a disputa ética. Mostrar que o interlocutor está de fato comprometido com algum bem nada prova sobre o que ele deve fazer. Pensar que o é equivale a cometer a falácia naturalista. 7
O que podemos perceber é que não podemos deixar de lado as modalidades ad hominem na arbitragem das disputas morais porque o homem julga mais pelos os antecedentes do que pelos fatos.

BibliografiaCOPI, Irving M. Introdução a lógica.2ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978
FRANKENA, William K. Ética.3ª ed. Rio de Janeiro: Zahar 1969
TAYLOR, Charles. Explicação e razão prática. In: Argumentos Filosóficos. São Paulo:Loyola,2000

1 Explicação e razão prática.C. Taylor. P.482 Explicação e razão prática.C. Taylor. P. 493 Explicação e razão prática.C. Taylor. P. 514 Frankena. Ética. P.495 Aqui podemos ler moral como sua postura perante a sociedade em que vive.6 Ad hominem (ofensivo) “argumento dirigido contra o homem” COPI. P.75 e Ad hominem (circunstancial) “diz respeito às relaçoes entre as convicçoes de uma pessoa e as suas circunstâncias”7 Explicação e razão prática.C. Taylor. P. 70

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