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quarta-feira, 6 de junho de 2007

AS TRÊS TRANSMUTAÇÕES DO ESPÍRITO DO LIVRO _ASSIM FALOU ZARATUSTRA_DE FRIEDRICH NIETZSCHE/ POR ÉRICA M. L.




TWITTER: @ericamacleo



 

INTRODUÇÃO



Nietzsche fala na primeira parte do livro “Assim falou Zaratustra” nas Três Transmutações do espírito, isto é, metamorfoses, tratando-as como estágios para que o espírito possa transformar-se em dono de si, dono de sua própria vontade, onde o espírito se desfaz de tudo que é dogma e começa algo de novo, diferente, não mais com a visão comum e sim uma nova concepção de cosmovisão além daquela onde eram tratadas universalmente. É morrer para um mundo e nascer para outro.
Mas o que Nietzsche pretende tratar realmente com essa analogia da transmutação? O que ele identifica nestes estágios? Apenas o homem e o seu interior buscando uma libertação ou também o modificação do mundo a sua volta, ou ainda uma identificação com o conhecimento adquirido por Nietzsche em seus estudos ao longo dos anos onde teve o contato com vários textos filosóficos, textos históricos, enfim textos sobre a humanidade e sua evolução?
As três transmutações


A transmutação do espírito1 se dá em três etapas:
O espírito se transforma em camelo
2 que tem a imagem da obediência;
De camelo se transforma em leão
3, a imagem da libertação;
E de leão para última etapa, que é a criança
4, a imagem da inocência.
Há interpretações sobre estas três passagens das metamorfoses, como correspondentes a história do pensamento filosófico, onde encontra-se nas formas: “o camelo corresponde-se à Sócrates e Platão - heteronomia; o leão como Descartes e kant – autonomia legisladora; e, por fim, o próprio Friedrich Nietzsche como a criança – para além dessas duas perspectivas.”
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O camelo


O espírito transformado em camelo, “símbolo do conformismo e da resignação”6, procura pelo fardo mais pesado, opressor e angustiante. Ele fica feliz com a boa carga, acredita que com a carga mais pesada se sentirá forte por poder suportá-la, ele não só recebe esta carga, como à deseja, o espírito do camelo solicita este maior fardo ao ajoelhar-se para ser melhor acomodado o peso a carregar. Há um questionamento se não deve deixar o orgulho padecer, zombar da própria sensatez, deixar de lado algo que desejou quando conquistou, “ou será sustentarmo-nos com bolotas e erva do conhecimento e padecer fome na alma por causa da verdade”7, e ao estar doente procurar aqueles que não irão ouvir seus lamentos, ir aos piores lugares da alma se for dessa maneira o encontro da verdade, ou ainda amar aos inimigos ou remoer lembranças que nos fazem mal.
O camelo carrega todos os deveres do mundo, ele é aquele que faz tudo conforme as regras, as normas que são impostas desde seu nascimento, não cria algo diferente pois não acredita nesta necessidade, e as carrega em direção ao deserto, ao nada, pois é uma penitência sem garantias de que chegará no destino desejado, mas vê isso com um grande aprendizado.
“Nietzsche o leria a partir de uma interpretação de sua condição fisiológica que o obriga a ajoelhar-se para poder se situar no mundo. Pela imposição dessa perspectiva o homem, enquanto vontade de potência, manifestaria o ser mais que o caracteriza, ainda que mediante a submissão àquilo que ele mesmo estabelece. Por isso Zaratustra, em seu discurso, refere-se à atitude de baixar-se para estancar a altivez, a de desviar-se da imposição de sua própria perspectiva quando esta já está sedimentada, a de busca incessante do inatingível, a de se submeter a todo sofrimento e contratempo como necessidade de carga manifesta no ardor à verdade e, por fim, a de ser benevolente e compassivo.”
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O leão


Mas no seu deserto, o espírito do camelo poderá encontrar sua própria liberdade. E aqui, nesse deserto9, o camelo se transforma em leão que quer ser rei do seu próprio deserto, que não quer imposição, quer ser senhor de sua libertação, mas encontra-se com o dragão, que carrega consigo valores milenares e não deseja ver o espírito transformado, pois quer impor ainda o “tu deves” ao leão, pois o próprio dragão chama-se Tu Deves, mas o espírito leão que já está cansado do tempo em que era camelo, que respeitava e obedecia humildemente, agora não quer mais o esses valores antigos que o dragão traz consigo e embora não possa criar os novos valores, o leão diz: “eu quero”, eu quero diz o espírito do leão, tentando deixar de lado todos os valores que o dragão traz e quer lhe impor.
O leão é aquele que pode resistir a essa imposição, ele já é aquele que pode libertar-se dos antigos valores, o leão é, pois aquele que tem a força para criar liberdade.


A criança


O leão dirá “não” perante o dever. E o leão se transforma em criança.
“Dizei-me, porém, irmãos. Que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o leão que ataca se transforme em criança?”
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A criança é um novo começo, ela não tem dogmas a seguir, não possui lembranças que a torturem, é inocente não tendo e nem sentido culpa, é a chance de um recomeço livre de um passado opressivo e de batalhas como o do camelo e do leão.
“É a criança, enquanto assimilação do vir-a-ser, que permite o advento do além-do-homem; entretanto antecede ao criar pelo simples prazer de fazê-lo à crença na determinação do querer enquanto outra interpretação de mundo, conhecimento e ação.”
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É uma nova chance, para um novo homem.
“E assim falava Zaratustra”
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CONCLUSÃO


As metamorfoses apresentadas e idealizadas por Nietzsche, de uma maneira diferente, com uma proposta lingüistica, como se fossem parábolas da Bíblia, talvez tenham a pretensão de passar também através dessa analogia onde os animais lutam por uma nova condição ao se transformarem.
Pois estes animais pertencendo a um só espírito, e por fim tornando-se criança, símbolo da inocência mas também da fragilidade, Nietzsche queira mostrar que por traz de certas fragilidades
13 pode haver grande força e posicionamento no meio em que se vive, que não basta ter força e vontade mas sim capacidade de criar.



Bibliografia


Azeredo, Vania Dutra de (organizadora). Encontros Nietzsche. Ijuí: ed. Unijuí, 2003

Barbosa, F. Assis. Pereira, M. Cunha. Mini Dicionário Luft. São Paulo: Editora Ática, 1991.

Mora, José F. Dicionário da Filosofia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1977.

Nietzsche, Friedrich W. Assim falava Zaratustra. 2ª ed. São Paulo: Editora Escala.

Reale, Giovanni. História da Filosofia: Do Romantismo até nossos dias. São Paulo: Editora Paulus, 1991.



NOTAS:1 Geist2 Kamele3 Löwe4 Kind5 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”6 Site. história – artigos – Nietzsche, a construção do Zaratustra.7 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala8 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”9 “Se a terra é a imagem da dimensao em que se postulam sentidos, o deserto o é da recusa em estabelecê-los”. Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”10 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala11 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”12 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala13 Como a sua própria, por ter passado a vida inteira tentando cuidar-se pois possuia uma saúde fragil.

Um comentário:

  1. mto bom seu post. Tenho uma prova de filosofia e vc me ajudou mto. parabens!

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