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terça-feira, 19 de junho de 2007

Fundamentação da ética

O GRITO - Edvard Munch

Pelotas, 04 de setembro de 2006
Fundamentação em Ética.
1)contratualismo: egoísmo
Hobbes é quase moral
"eu vou fazer ação se ela interessa para mim"
kant é um contratualismo moral
o ato para ser moral deve ser voluntário
biologia: genegoista =procura na genética, o ato, impulso de agir egoistamente.
2)utilitarismo:
ação é justa se trazer melhores conseqüências para o maior número de pessoas

3)kantismo:

princípio imperativo categórico {universalizabilidade; não –instrumentalização
4)ética das virtudes:

juízo moral { Subjetivo ; motivo

Indeterminação na deliberação
Com a phonesis eu decido com um ponto de vista moral o que é bom naquela situação.

Peter geach

Homem bom{Descritivo; Aprovação moral

As quatro virtudes cardeais:

Temperança
Coragem
Prudência
Justiça

Na modernidade não teremos como ética das virtudes

Utilitarismo- razão instrumental
- não há ponto de vista moral
- teleologico: bem →dever
- soma: felicidade
miséria

kantismo- razão moral
- ponto de vista moral
- deontológica: dever →bem
onora o’neil
deveres:
- perfeito - obrigado - não devo mentir
- imperfeito – caridade – doar alimentos
Pelotas, 11 de setembro de 2006
Como fundamentar os juízos morais =não tradicionalista e não naturalista = juízo moral (absolutas)

a)moral tradicionalista = fundamentação absoluta fora do sujeito→ ter de :dever
ordem da phisis
ordem divina
problemas
natureza dos juízos morais:
pretende universalidade mas parte de uma concepção de bem (que parte de um particular)
ex: tortura
é uma falácia, porque uma concepção a partir de bem é sempre particular
esfera moral = julgamento moral
sentimento morais
não são bons critérios para julgar moralmente
estão de acordo...

2)juízo moral:
faz uma adequação entre a regra e o ocaso
faz a ligação entre o universal e o particular
regra =universal
ocaso =particular

3)princípio moral:
dignidade humana

2)qual a característica da norma boa
é boa porque Deus criou
Deus criou porque é boa

3)multiplicidade de crenças:...

4) premissa utilizada não é fundamentada
é um erro lógico confundir fatos e normas.
B)moral naturalista
Fundamentação na natureza humana
Fundamentação absoluta de ter de (dever)
Falácia descritivista: fundamenta aquilo que deve ser feito, por aquilo que é; inferência dos juízos morais a partir dos juízos factuais
fatos→ normas
ex: prazer é bom { satisfação

c)moral moderna
juízo moral absoluto independentes da autonomia

1)contratualismo (Hobbesiano): o que determina a melhor conduta?
Contrato
Egoísta - auto interesse
Egoísta - razão: instrumental
Quem decide é a maioria →regra pela maioria

Problemas
1)calculo→ é melhor aparentar moralidade
2)como garantir a observação das regras sem uma consciência moral→ direito penal
3)pensar indivíduo como calculador instrumental→ usar a razão calculativa

2)utilitarismo
princípio do utilitarismo =maior satisfação (bem-estar, felicidade...)
Pelotas, 18 de setembro de 2006
Xerox = investigação sobre o entendimento humano sobre os princípios da moral.
Apêndice 1, 2, 5,9 e apêndice I


1)UTILITARISTA
fundamentos sobre não tradicionalista e não naturalista→ ser bom/a partir da aceitação geral→ emoções (sentimentos) como o que fundamenta o juízo moral{
Agente egoísta: auto interessado
O subjetivismo ético
X é bom
Eu aprovo x
Eu não aprovo x
Falibilidade
diversidade

Útil: traz o melhor resultado para a maior parte das pessoas
Utilitarismo = as emoções fundamento o juízo moral→ Aumentar prazer, diminuir a dor
duas questões →determinar o que é bom
→determinar que ação é correta→ correção
1)hedonismo=
felicidade é única coisa que importa
bom = útil =aquilo que traz felicidade = satisfação _bem-estar} mais prazer e menos dor
2)teleologica=
prioridade do bom sobre o correto
maximização do prazer} redução da moral a soma de dor e prazer
deliberação no utilitarismo é deliberação sobre os meios e não sobre os fins
3)princípio utilitarista
útil que traz melhor satisfação
4)princípio escolha racional
agente moral :calculo de risco
5) princípio do sacrifício
melhor beneficio para a maioria
6)consequencialismo
critério de correção dado pelos melhores resultados
ação:
→prognostico =conseqüências possíveis
→escolher instrumental com valores
relação instrumental com valores ação →valores} instrumental
não é rigorista e não é formalista
7)imparcialidade
pensa através de um espectador imparcial (ponto de vista de todos)
os códigos morais podem mudar, as mulheres a 200 anos atras a prazer sexual era mais em relação a dor que ao prazer. Freud publiciza a sexualidade feminina a partir do século XIX para XX
toda a ação é possível?
→direito
→justiça







terça-feira, 12 de junho de 2007

AMOR E MEDO - CASIMIRO DE ABREU

Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:—
"Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair cias tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas!...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

SITE:http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/romantismo/casimiro.htm

quarta-feira, 6 de junho de 2007

AS TRÊS TRANSMUTAÇÕES DO ESPÍRITO DO LIVRO _ASSIM FALOU ZARATUSTRA_DE FRIEDRICH NIETZSCHE/ POR ÉRICA M. L.




TWITTER: @ericamacleo



 

INTRODUÇÃO



Nietzsche fala na primeira parte do livro “Assim falou Zaratustra” nas Três Transmutações do espírito, isto é, metamorfoses, tratando-as como estágios para que o espírito possa transformar-se em dono de si, dono de sua própria vontade, onde o espírito se desfaz de tudo que é dogma e começa algo de novo, diferente, não mais com a visão comum e sim uma nova concepção de cosmovisão além daquela onde eram tratadas universalmente. É morrer para um mundo e nascer para outro.
Mas o que Nietzsche pretende tratar realmente com essa analogia da transmutação? O que ele identifica nestes estágios? Apenas o homem e o seu interior buscando uma libertação ou também o modificação do mundo a sua volta, ou ainda uma identificação com o conhecimento adquirido por Nietzsche em seus estudos ao longo dos anos onde teve o contato com vários textos filosóficos, textos históricos, enfim textos sobre a humanidade e sua evolução?
As três transmutações


A transmutação do espírito1 se dá em três etapas:
O espírito se transforma em camelo
2 que tem a imagem da obediência;
De camelo se transforma em leão
3, a imagem da libertação;
E de leão para última etapa, que é a criança
4, a imagem da inocência.
Há interpretações sobre estas três passagens das metamorfoses, como correspondentes a história do pensamento filosófico, onde encontra-se nas formas: “o camelo corresponde-se à Sócrates e Platão - heteronomia; o leão como Descartes e kant – autonomia legisladora; e, por fim, o próprio Friedrich Nietzsche como a criança – para além dessas duas perspectivas.”
5

O camelo


O espírito transformado em camelo, “símbolo do conformismo e da resignação”6, procura pelo fardo mais pesado, opressor e angustiante. Ele fica feliz com a boa carga, acredita que com a carga mais pesada se sentirá forte por poder suportá-la, ele não só recebe esta carga, como à deseja, o espírito do camelo solicita este maior fardo ao ajoelhar-se para ser melhor acomodado o peso a carregar. Há um questionamento se não deve deixar o orgulho padecer, zombar da própria sensatez, deixar de lado algo que desejou quando conquistou, “ou será sustentarmo-nos com bolotas e erva do conhecimento e padecer fome na alma por causa da verdade”7, e ao estar doente procurar aqueles que não irão ouvir seus lamentos, ir aos piores lugares da alma se for dessa maneira o encontro da verdade, ou ainda amar aos inimigos ou remoer lembranças que nos fazem mal.
O camelo carrega todos os deveres do mundo, ele é aquele que faz tudo conforme as regras, as normas que são impostas desde seu nascimento, não cria algo diferente pois não acredita nesta necessidade, e as carrega em direção ao deserto, ao nada, pois é uma penitência sem garantias de que chegará no destino desejado, mas vê isso com um grande aprendizado.
“Nietzsche o leria a partir de uma interpretação de sua condição fisiológica que o obriga a ajoelhar-se para poder se situar no mundo. Pela imposição dessa perspectiva o homem, enquanto vontade de potência, manifestaria o ser mais que o caracteriza, ainda que mediante a submissão àquilo que ele mesmo estabelece. Por isso Zaratustra, em seu discurso, refere-se à atitude de baixar-se para estancar a altivez, a de desviar-se da imposição de sua própria perspectiva quando esta já está sedimentada, a de busca incessante do inatingível, a de se submeter a todo sofrimento e contratempo como necessidade de carga manifesta no ardor à verdade e, por fim, a de ser benevolente e compassivo.”
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O leão


Mas no seu deserto, o espírito do camelo poderá encontrar sua própria liberdade. E aqui, nesse deserto9, o camelo se transforma em leão que quer ser rei do seu próprio deserto, que não quer imposição, quer ser senhor de sua libertação, mas encontra-se com o dragão, que carrega consigo valores milenares e não deseja ver o espírito transformado, pois quer impor ainda o “tu deves” ao leão, pois o próprio dragão chama-se Tu Deves, mas o espírito leão que já está cansado do tempo em que era camelo, que respeitava e obedecia humildemente, agora não quer mais o esses valores antigos que o dragão traz consigo e embora não possa criar os novos valores, o leão diz: “eu quero”, eu quero diz o espírito do leão, tentando deixar de lado todos os valores que o dragão traz e quer lhe impor.
O leão é aquele que pode resistir a essa imposição, ele já é aquele que pode libertar-se dos antigos valores, o leão é, pois aquele que tem a força para criar liberdade.


A criança


O leão dirá “não” perante o dever. E o leão se transforma em criança.
“Dizei-me, porém, irmãos. Que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o leão que ataca se transforme em criança?”
10
A criança é um novo começo, ela não tem dogmas a seguir, não possui lembranças que a torturem, é inocente não tendo e nem sentido culpa, é a chance de um recomeço livre de um passado opressivo e de batalhas como o do camelo e do leão.
“É a criança, enquanto assimilação do vir-a-ser, que permite o advento do além-do-homem; entretanto antecede ao criar pelo simples prazer de fazê-lo à crença na determinação do querer enquanto outra interpretação de mundo, conhecimento e ação.”
11
É uma nova chance, para um novo homem.
“E assim falava Zaratustra”
12


CONCLUSÃO


As metamorfoses apresentadas e idealizadas por Nietzsche, de uma maneira diferente, com uma proposta lingüistica, como se fossem parábolas da Bíblia, talvez tenham a pretensão de passar também através dessa analogia onde os animais lutam por uma nova condição ao se transformarem.
Pois estes animais pertencendo a um só espírito, e por fim tornando-se criança, símbolo da inocência mas também da fragilidade, Nietzsche queira mostrar que por traz de certas fragilidades
13 pode haver grande força e posicionamento no meio em que se vive, que não basta ter força e vontade mas sim capacidade de criar.



Bibliografia


Azeredo, Vania Dutra de (organizadora). Encontros Nietzsche. Ijuí: ed. Unijuí, 2003

Barbosa, F. Assis. Pereira, M. Cunha. Mini Dicionário Luft. São Paulo: Editora Ática, 1991.

Mora, José F. Dicionário da Filosofia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1977.

Nietzsche, Friedrich W. Assim falava Zaratustra. 2ª ed. São Paulo: Editora Escala.

Reale, Giovanni. História da Filosofia: Do Romantismo até nossos dias. São Paulo: Editora Paulus, 1991.



NOTAS:1 Geist2 Kamele3 Löwe4 Kind5 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”6 Site. história – artigos – Nietzsche, a construção do Zaratustra.7 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala8 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”9 “Se a terra é a imagem da dimensao em que se postulam sentidos, o deserto o é da recusa em estabelecê-los”. Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”10 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala11 Texto de Vânia Dutra de Azeredo, “As transmutações do espírito”12 Livro – “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Editora escala13 Como a sua própria, por ter passado a vida inteira tentando cuidar-se pois possuia uma saúde fragil.
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