CONTADOR DE VISITAS

quinta-feira, 31 de maio de 2007

De Repente - Vinícius de Morais


De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.
Pintura: Estudo de Nenúfares - 1908 - Monet

Lembrança de morrer - Álvarez de Azevedo

Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro—
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo....
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas—
Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—
Sombras do vale, noites da montanha
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa!

DELACROIX - A liberdade guiando o povo



DELACROIX - Hamlet e Horácio no cemitério


quarta-feira, 30 de maio de 2007

PROMETEU ACORRENTADO - ÉSQUILO - RESUMO POR Érica MacLeo

TWITTER: @ericamacleo

Vulcano está prestes a acorrentar Prometeu, seu parente, como castigo sentenciado pelo novo senhor dos deuses: Júpiter. Esta punição foi por ter roubado o fogo dos deuses (Dom de Vulcano) e te-lo dado aos homens. Vulcano não gosta do que terá de fazer e confessa isso ao Poder, mas Poder acha tudo uma bobagem já que a sentença tem de ser cumprida e Vulcano deve punir Prometeu por ter roubado a qualidade que lhe foi atribuída.
O Poder deixa claro que o trabalho de punição deve ficar bem feito, sem compaixão, e recomenda que Prometeu deve ficar bem preso as rochas sem possibilidade de fuga. A Violência assiste muda juntamente nos rochedos da Cítia.
O Poder, ainda, desdenha de Prometeu antes de deixá-lo só.
Prometeu, sozinho, começa a divagar e se perguntar se ao ter roubado o fogo e dá-lo aos homens foi tão grave, já que foi para ajudá-los. Até que ouve um bater de asas e sente um perfume, é o Coro das Ninfas do Oceano, trazendo palavras de conforto e dizendo que nenhum deus além de Júpiter poderia ficar feliz com tal sofrimento infligido pelo o novo senhor dos deuses ( a condenação foi ficar preso por milhares de anos ao rochedo até quando Júpiter achasse necessário ).
Prometeu, diz que não irá prever mais nada do que Júpiter lhe solicitar e o Coro das Ninfas do Oceano temem pela sua situação e perguntam: o que ele fez a Júpiter para tal pena? E ele diz que foi por defender os mortais da aniquilação total pretendida pelo novo deus dos deuses chamado Júpiter, ao dar o fogo aos mortais ele possibilitou que o homem ficasse mais forte e pudesse criar e se desenvolver. As Ninfas, vêem que nada podem falar ou fazer para aliviar a sua dor.
Nisso chega Oceano que também penalizado por tamanho castigo pergunta no que pode ajudá-lo. Mas Prometeu não gosta de sua visita e insulta-lhe, o que faz Oceano achar que o castigo deve ter sido por tal palavreado, mas mesmo assim diz que irá interceder junto ao novo senhor dos deuses. Prometeu com ironia aconselha que ele não vá ter com Júpiter ou terminará igual a ele. Mas Oceano diz, sem se importar com o tom de Prometeu, que irá conseguir o perdão de Júpiter para Prometeu, e ele num tom agora ameno diz que não quer que ele seja desgraçado também. Oceano volta ao seu recinto e adere ao conselho de Prometeu.
Enquanto isso o Coro das Ninfas do Oceano estão estarrecidas com tal punição, pois Prometeu que ajudou ao homem ser um homem diferente que pensa e que cria agora não pode ajudar a si mesmo e nem ser ajudado por tais seres mortais.
E embora com sua inteligência, Prometeu que era aquele que poderia ter poder maior do que do próprio Júpiter, ainda continuava preso, mas ele tinha o poder da adivinhação e era isso que Prometeu poderia usar para restituir sua liberdade.
Prometeu e o Coro das Ninfas do Oceano avistam distante Io, desesperada e perdida, está sendo castigada por Juno (esposa de Júpiter) por haver conquistado o amor de seu marido. Io estava curiosa como ele, aquele acorrentado, sabia quem era o seu pai Íniaco, e perguntou quem ele era e porque estava ali acorrentado.
Prometeu se apresentou e contou o que lhe havia acontecido, Io ficou horrorizada e lhe perguntou qual seria seu destino, o que havia lhe reservado (para Io) , mas Prometeu quis ouvir primeiro a sua história (aconselhado pelo Coro das Ninfas do Oceano, antes de lhe apresentar seu futuro), então Io disse que após ser atormentada por uma voz que lhe dizia para entregar sua pureza à Júpiter, resolveu contar tudo ao seu pai Íniaco que rapidamente foi buscar respostas junto ao oráculo que lhe disse que Io deveria ser expulsa de sua casa e de seu país afim de evitar que a fúria de Júpiter caísse sobre ele destruindo a todos que lá viviam, e desde esse acontecimento ela andava pelo mundo, além de sua fisionomia ter mudado e possuir chifres na testa, além de atormentada por um inseto que lhe perseguia onde fosse, ainda havia sido colocada sobre a vigia de um cão pastor chamado Argos que possuía muitos olhos.
Prometeu ficou penalizado com o sofrimento de Io, e lhe disse por onde deveria ir e qual o caminho que deveria tomar, também lhe contou que o descendente de Io seria o libertador dele. Ainda revelou que Júpiter perderia seu trono pois teria um filho mais forte que ele, o que deixou Io muito satisfeita e sentiu que seu sofrimento seria vingado por quem ela menos esperava – um descendente do próprio Júpiter.
O Coro das Ninfas do Oceano ficou assustado com tais presságios, temiam que Júpiter castigasse ainda mais Prometeu com essas revelações e principalmente com a satisfação que ele tinha em falar isso do deus dos deuses.
E veio Mercúrio trazer nova mensagem de Júpiter, esse quer saber quem derrubará seu pai do trono.
Prometeu, de forma insolente, diz que não revelará nada para ajudar aquele que causou sua dor.
Então Mercúrio diz que Júpiter irá quebrar os rochedos de forma que ele fique preso e caído sobre os restos e mandará um abutre comer seu fígado todos os dias.
Prometeu diz que já sabia de tal fato, e não muda sua opinião sobre Júpiter.

CENSURA - 1999 - Érica MacLeo

COM TUDO
ESTÁ INSATISFEITA
NÃO ADMITE
SER CONTRARIADA ACHA
UM HORROR COISAS BELAS E
RENEGA
A DEMOCRACIA

João ninguém - 1999 - Érica MacLeo

Ele é um João ninguém...
Mas João é ninguém?
Ou ninguém é João?
E quem disse que João ninguém não é alguém?
Mas não quer dizer que João é alguém,
Ninguém é alguém ou
Alguém é ninguém?
Quem disse que ninguém não pode se chamar de Pedro, Paulo ou Maria...
E mesmo assim todo dia
A sempre um ninguém querendo ser alguém.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Tenho frio e ardo em febre! - Olavo Bilac

Tenho frio e ardo em febre!
O amor me acalma e endouda!
O amor me eleva e abate!
Quem há que os laços, que me prendem, quebre?
Que singular, que desigual combate!
Não sei que ervada flecha
Mão certeira e falaz me cravou com tal jeito,
Que, sem que eu a sentisse, a estreita brecha
Abriu, por onde o amor entrou meu peito.
O amor me entrou tão cauto O incauto coração, que eu nem cuidei que estava,
Ao recebê-lo, recebendo o arauto
Desta loucura desvairada e brava.
Entrou. E, apenas dentro, Deu-me a calma do céu e a agitação do inferno...
E hoje... ai de mim!, que dentro em mim concentro
Dores e gostos num lutar eterno! O amor, Senhora, vede:
Prendeu-me. Em vão me estorço, e me debato, e grito;
Em vão me agito na apertada rede... Mais me embaraço quanto mais me agito!
Falta-me o senso: a esmo,
Como um cego, a tatear, busco nem sei que porto:
E ando tão diferente de mim mesmo,
Que nem sei se estou vivo ou se estou morto.
Sei que entre as nuvens paira
Minha fronte, e meus pés andam pisando a terra;
Sei que tudo me alegra e me desvaira,
E a paz desfruto, suportando a guerra.
E assim peno e assim vivo:
Que diverso querer! Que diversa vontade!
Se estou livre, desejo estar cativo;
Se cativo, desejo a liberdade!
E assim vivo, e assim peno:
Tenho a boca a sorrir e os olhos cheios de água;
E acho o néctar num cálix de veneno,
A chorar de prazer e a rir de mágoa.
Infinda mágoa! Infindo Prazer!
Pranto gostoso e sorrisos convulsos!
Ah! Como dói assim viver, sentindo
Asas nos ombros e grilhões nos pulsos!

Terra-02/02/2004 - Érica MacLeo

Terra
Areia
Chão
O que nos dá o pão
É o trabalho de cada dia
Mas tudo isso seria
Apenas em vão
Se não fosse essa fértil
Mãe gentil
A terra, a nossa Terra
Que dizem ser cor de anil
E que gera o fruto
Faz a mais bela flor
E trata com tanto amor
Os filhos que dela necessitam
E a retribuem com ...
Com o que você retribui?

O que amo e o que odeio - Érica MacLeo/1999

Eu amei quando menti
Eu amei quando sai e fui embora
Eu amei quando soube o que senti
Eu amei quando te joguei fora

Odiei quando voltei
Odiei quando pedi para ficar
Odiei quando vi que errei
Odiei quando fui lhe falar

Eu amei quando te odiei
E odiei quando te amei
Pois vi quanto era dependente de você

quinta-feira, 24 de maio de 2007

NA TEBAIDA – OLAVO BILAC

Chegas, com os olhos úmidos, tremente
A voz, os seios nus, como a rainha
Que ao ermo frio da Tebaida vinha
Trazer a tentaçao do amor ardente.

Luto: porém teu corpo se avizinha
Do meu, e o enlaça com uma serpente...
Fujo: porém a boca prendes, quente,
Cheia de beijos, palpitantes, à minha...

Beija mais, que o teu beijo me incendeia!
Aperta os braços mais! Que eu tenha a morte,
Preso nos laços de prisão tão doce!

Aperta os braços mais, - fragil cadeia
Que tanta força tem não sendo forte,
E prende mais que se ferro fosse!

terça-feira, 22 de maio de 2007

RESPOSTA AO CARINHOSO - Érica MacLeo

Teu coração
Eu sei porque
Bate feliz
Quando me vê
Porque igualmente meus olhos
Ficam sorrindo
E pelas ruas eles vão indo
Procurando coragem
Para não mais fugir de ti
Eu sei o quanto és carinhoso
E o muito que me queres
Sei também que é sincero tudo o que sente por mim
Mas como bem sabes
A coragem que me falta
É aquela de enfrentar minha família
E todos desta rua.
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